Cena do documentário produzido pela BBC com filho de oficial do Hamas
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Cena do documentário produzido pela BBC com filho de oficial do Hamas

A BBC, centenária corporação pública de rádio e TV, já foi a organização jornalística mais respeitada do Reino Unido. Hoje, está mais para folhetim, como confirma o escândalo provocado pelo vazamento de um relatório interno, exposto pelo jornal conservador The Telegraph.

No documento, Michael Prescott — que atuou por anos como conselheiro independente do Conselho Editorial da BBC, até abandonar a posição em junho de 2025 — detalhou falhas graves de conduta e alertou repetidamente a direção do veículo sobre a crescente militância editorial da emissora.

Não se tratou de um evento de menor importância. Prova disso é que levou à renúncia de dois dos principais executivos da corporação: o diretor-geral, Tim Davie, e a CEO da BBC News, Deborah Turness.

Exemplos inglórios

A invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, foi recontada pela BBC em um  documentário lançado em junho de 2024. Nele, para atingir a campanha de Donald Trump, o discurso do então candidato foi manipulado, transformando-se artificialmente em um chamado inflamado à violência.

Mais recentemente, em junho deste ano, a BBC também decidiu não interromper a transmissão  ao vivo de um show do cantor de rap Bob Vylan durante os longos minutos em que ele gritava “Death, Death to the IDF”(em tradução livre: morte aos soldados israelenses), prontamente acompanhado por um público excitado.

Cantor inglês Bob Vylan
Facebook Bob Vylan
Cantor inglês Bob Vylan


Em outro episódio, o documentário Gaza: How To Survive A Warzone(Gaza: Como Sobreviver a uma Zona de Guerra) trouxe como narrador um menino palestino que descrevia seu dia a dia em uma área marcada pela morte e pelo medo — um projeto que poderia ter sido memorável, não fosse a revelação de que o personagem principal é filho de um oficial do grupo terrorista Hamas. A emissora demorou a admitir o fato, enrolando-se em explicações constrangedoras até retirar o documentário do ar.

O papel da mídia

Para os israelenses, tais episódios não chegaram a surpreender. O viés antissemita e antissionista da BBC foi recorrente durante toda a guerra entre Israel e Gaza. Ainda assim, é constrangedor perceber que a divulgação do relatório de Prescott não tenha provocado uma reflexão global sobre o papel da mídia que, longe de ser apenas observadora ou narradora das tragédias humanas, comporta-se como uma de suas provocadoras.

Sem contar que a BBC não está sozinha nesse caminho: The Guardian  e The New York Times  também dedicam-se abertamente à militância, para citar apenas dois exemplos de veículos de relevância mundial.

O escândalo provocará uma mudança imediata na postura da BBC? Por enquanto, tudo indica que não. O mais provável é que a emissora continue adotando a postura cínica que marca sua atuação nesses últimos tempos.

 Pobres leitores.

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