Desde o início da guerra, existe um monólogo protagonizado pelo Hamas, dirigido exclusivamente a israelenses e judeus pelo mundo. Através dele, o grupo terrorista professa formas diversas de terror psicológico, aterrorizantes não apenas pelo conteúdo, mas também pelo fato de gerarem puco impacto no resto do mundo.
Nesta semana, em complemento à campanha da fome em Gaza baseada em grande parte em vídeos e fotos produzidos ou falsos, foram usados dois reféns israelenses. Evyatar David e Rom Braslavski, ambos sequestrados no festival de música Nova e há quase 700 dias aprisionados pelo Hamas em Gaza, aparecem cadavéricos e alquebrados, implorando por um cessar-fogo. No caso de Evyatar, ele foi filmado enquanto cavava sua própria sepultura dentro de um túnel. Todas as imagens do vídeo remetem ao Holocausto nazista, quando judeus cadavéricos e sem nenhum poder de reação eram forçados a cavar suas covas antes de serem fuzilados.
Hoje, há 50 israelenses mantidos em cativeiro em Gaza. Israel, há meses sem obter nenhum avanço em direção a um acordo que os liberte, aumentou a pressão militar sobre a Faixa na tentativa de trazer o Hamas de volta à mesa de negociações. O território está devastado, os palestinos estão desabrigados, o Hamas já não conta com a parceria nem a proteção do Irã ou do Hezbollah, sua liderança foi exterminada e não há vida normal possível por ali — ainda assim, o grupo vira as costas para o mundo, não liberta os sequestrados, não permite nenhum tipo de futuro para a população que teoricamente governa e ainda é agraciado por Canadá, França e Inglaterra com o reconhecimento de um Estado próprio.
Vale lembrar que foram justamente os franceses e os ingleses que, após a Primeira Guerra Mundial, dividiram artificialmente entre si o Oriente Médio (até então parte do Império Otomano), criando a instabilidade que até hoje reina na região.
Abuso moral e físico
Vídeos mostrando a fragilidade e o abuso físico e emocional ao qual os reféns israelenses continuam são submetidos abalam profundamente os israelenses e também as comunidades judaicas em todo o mundo. Vários foram divulgados desde o início da guerra, sempre em momentos estrategicamente calculados.
Qualquer um pode checar sua cronologia e perceber o padrão na ordem dos eventos.
Sempre que Israel realiza algum avanço que ameaça o Hamas, surge alguma nova campanha. No momento, o grupo conta com o apoio internacional em resultado de acusações de fome e genocídio que não se comprovam na vida real. Ela é apenas uma resposta ao fato de Israel ter retirado do Hamas o poder sobre a distribuição da ajuda humanitária, impedindo que eles confisquem os alimentos e os transformem em receita para manter seu esforço de guerra. O Hamas conta com o Catar para patrocinar e executar a campanha — vale a pena lembrar que a rede midiática Al-Jazeera é de propriedade estatal catari. Dessa vez, a grande ironia foi usar reféns israelenses para demonstrar a fome dos palestinos.
Para Israel, esses vídeos deixam clara a inviabilidade de continuar esperando por um acordo, especialmente depois que o Hamas exigiu que a libertação dos reféns ocorra na medida em que Gaza for sendo fisicamente reconstruída. Um processo que, certamente, levará anos e envolverá incontáveis intercorrências.
Os vídeos deixam evidente que os reféns não têm mais tempo para esperar. Eles estão à beira da morte e Israel precisa decidir qual caminho seguir: o da rendição de Israel, pouco provável, ou o do ataque total, mesmo sujeitando os reféns ao perigo.