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Jornal da Tarde da Copa de 1982
Reprodução
Jornal da Tarde da Copa de 1982

Prêmio Esso de 1982, autoria do fotógrafo Manente, o choro do menino carioca José Carlos Villela Rabello Junior, de 10 anos, hoje um advogado de 46 anos, na sofrida derrota contra a Itália, por 3x2. Ele considera aquele jogo, que acompanhou em Barcelona, pior que os 7x1 da última Copa. É que o time de 1982 era cantado em prosa e verso, sob a batuta de Telê Santana, um esquadrão compacto, bem melhor que o de 2014, com Felipão no comando.

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Chegando à Copa da Rússia, daqui a pouco, não gostaria de ver outra foto parecida com essa na imprensa. O problema das crianças que choram é que os narradores de TV, em especial os da Globo, não tecem uma análise desapaixonada de como se situa a seleção em relação a outras forças futebolísticas do mundo. E os pequenos entram na onda da vitória certa do Brasil.

O oba-oba costuma ser acompanhado pelos comerciais de TV, que mostram um passado glorioso da seleção extrapolado para um presente não tão excepcional como já fomos, em especial quando existiam Garrincha e Pelé, dois fenômenos inigualáveis, em qualquer época ou lugar.

Claro que a gente torce pelo Brasil em quaisquer circunstâncias, de camisa amarela e tudo. Mas se for o caso de fazer uma análise fria, não sei se os nossos prognósticos são tão bons.

Craques exponenciais podem fazer a diferença numa Copa: Cristiano Ronaldo é tão extraordinário que é capaz de fazer Portugal vencer a Copa do Mundo, o que seria uma proeza de realismo mágico.

Messi, por sua vez, é capaz de decidir sozinho, como aconteceu no último jogo das eliminatórias, onde fez três gols em jogadas individuais e salvou a pátria.

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Notar que os dois craques acima quase não se machucam, só caem no chão quando são derrubados mesmo.

Neymar é uma das revelações mais importantes do futebol mundial dos últimos anos. Levou o Brasil à vitória na última Olimpíada, com todos os méritos.

Mas precisa saber que numa Copa do Mundo, não revidar é um ato mais corajoso do que acertar na hora as contas com o inimigo.

Temos na seleção um jogador de defesa que num jogo da última Copa preferiu sentar e ir às lágrimas, a cobrar um pênalti.

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Aliás, o pessoal dos 7x1 deve ter um trauma tão grande daquele jogo, que talvez fosse melhor não exigir mais nada de nenhum deles.

Uma coisa que incomoda é o técnico garoto-propaganda, em comerciais ufanistas. Técnico não é ator. Sua missão é construir um time vencedor.