Quem tem o poder no Brasil não costuma lembrar que o objetivo final de qualquer pessoa a ocupar um cargo público é pensar no melhor para o País, e, em consequência, para a população.

Isso não acontece no poder Executivo, onde o objetivo da quadrilha que ali está é garantir os votos do Legislativo para livrar-se das ações Judiciais que afloram no Palácio do Planalto.

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José Cruz/Agência Brasil - 10.8.2016
Juiz Sérgio Moro e todo seu trabalho junto a força tarefa da Operação Lava Jato podem dar em nada?

O Legislativo, por sua vez, é um antro de pessoas mal-intencionadas, com exceções, que se valem de todo o poder que têm para enriquecer, e legitimar todo tipo de falcatrua, mancomunados com o Executivo, que tem a caneta para liberar as polpudas verbas que são arrancadas dos contribuintes, nós.

E agora também o Judiciário disse a que veio, a julgar pelo triste espetáculo de quinta-feira, que culminou com o compromisso particular do ministro Marco Aurélio de Mello, com passagem aérea marcada para o horário em que deveria terminar a sessão, segundo seus cálculos.

Os feriados da Semana Santa, para os membros do Judiciário, começam na sexta-feira anterior à da Paixão, assim, não seria possível votar mais nada na própria sexta, nem na segunda, já que por ali não se trabalha nesses dias.

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Compare esse procedimento com o de um funcionário de qualquer empresa privada, que precisasse completar um serviço iniciado na quinta, e ele trabalharia sexta e até sábado, para cumprir com sua obrigação. No Supremo não, joga-se pra frente, na maior cara-de-pau. Tudo pela televisão, que emula as vaidades, e desvela as iniquidades.

Assim, o Judiciário é o terceiro poder que está se lixando para suas obrigações, em benefício de  viagens particulares de suas excelências.

A quinta-feira foi toda consumida pela análise da concessão ou não do habeas-corpus, sem chegar ao mérito da questão.

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Carlos Moura/SCO/STF - 1.6.17
Plenário do Supremo Tribunal Federal durante julgamento sobre restrição ao foro privilegiado a políticos

Toda a lenga-lenga proferida naquele dia, com demonstrações de saber jurídico em linguagem gongórica e anacrônica, pegou os espectadores desprevenidos, e eles desistiram de entender de que se tratava aquela prosopopéia infindável.

Como não havia disposição de decidir afinal sobre o habeas-corpus de Lula, foi todo mundo curtir o feriado.

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Ficam os maus presságios: Lula não vai ser preso, e a fila de criminosos que também estarão livres depois dele, tenderá a acabar com a Lava-Jato, em que o povo tanto acreditou, e apoiou.

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