Eleições municipais ocorrem neste domingo (15)
Reprodução: O Dia
Eleições municipais ocorrem neste domingo (15)

Manter a atenção voltada para a política e para a administração pública tem sido uma marca deste espaço desde o dia 15 de março, quando a coluna "Um Olhar Sobre o Rio " saiu pela primeira vez.

Já na edição de estreia — publicada quando ainda não havia elementos que mostrassem a extensão da pandemia da covid-19 —, foi sugerido que os pré-candidatos à prefeitura se mirassem no exemplo do treinador Jorge Jesus, que na época ainda dirigia o Flamengo.

A cidade teria muito a ganhar se o futuro prefeito, como o treinador, se dispusesse a realizar um trabalho árduo, bem planejado e capaz de trazer de volta a alegria e o otimismo que sempre estiveram presentes no espírito do carioca.

O que foi dito naquele e em vários outros momentos ao longo dos oito meses que se completam hoje parece confluir para o grande evento que acontece no dia de hoje.

As eleiçõe s que se realizam hoje, com a possibilidade de haver segundo turno na capital e nos nove municípios mais populosos, são fundamentais para o futuro do Rio de Janeiro . Nunca a responsabilidade do eleitor foi tão grande quanto neste momento em que uma série de cidades sofrem as consequências das escolhas mal feitas quatro anos atrás.

Há muito para ser mudado e, nesta luta, a informação talvez seja a ferramenta mais importante à disposição do eleitor. Nos últimos meses, fez um esforço considerável no sentido de levar ao conhecimento de seus leitores as propostas de todos os candidatos a prefeito da capital e de um grupo expressivo de municípios. 

Em entrevistas transmitidas pelos canais de internet e publicadas nas edições impressas ou eletrônicas do jornal, eles tiveram a oportunidade de expor seus pontos de vista e apresentar ao eleitor as credenciais de que poderão conduzi-los ao cargo.

Ao longo desses oito meses, este espaço jamais foi utilizado para perseguir a quem quer que seja. Na mesma medida, no entanto, ele jamais se omitiu em relação a cobrar das autoridades municipais, estaduais e federais medidas que melhorassem a qualidade da saúde, da segurança, e proporcionassem bem estar aos cidadãos.

Outro esforço permanente da coluna foi o de não concentrar as críticas nos ombros de uma única autoridade e de deixar claro que os três poderes são igualmente responsáveis pela boa condução da "Coisa Pública".

Imagem distorcida

Isso é extremamente importante. O eleitor brasileiro, tradicionalmente, dá um peso maior à escolha dos responsáveis pelo poder Executivo e relega ao segundo plano os candidatos ao Legislativo. Essa postura, como tem ficado mais claro a cada dia, pode gerar um custo elevado para o cidadão. A capacidade de uma Câmara Municipal fazer o bem — ou o mal — a uma localidade acaba sendo, no final das contas, igual ou até mesmo superior à do prefeito .

A imagem distorcida que se tem do peso de um vereador , a bem da verdade, muitas vezes é estimulada pela própria postura adotada pelos ocupantes desse posto.

Em muitos casos, eles se colocam como simples despachantes da vontade dos prefeitos e se omitem na hora de cumprira obrigação legal de fiscalizar os atos do poder Executivo, de estabelecer a prioridades para o orçamento e de definir o que pode e o que não pode ser feito em cada ponto do município. Se fizerem seu trabalho direito, no entanto, assumem uma importância que passa a ser fundamental.

Cabe ao vereador ou à vereadora definir um Código de Posturas mais rígido ou mais brando em relação aos bailes funk ou às construções irregulares. É dele ou dela a última palavra em relação ao uso e ocupação do solo em cada ponto da cidade, ao funcionamento do comércio e a uma série de pontos que interferem diretamente na vida dos cidadãos .

Os aspectos relacionados com as responsabilidades dos vereadores e, claro, dos chefes do poder Executivo não apenas na capital, mas nas 25 cidades em que O DIA está presente com repórteres locais (naquela que é a mais ampla rede de cobertura jornalística do Estado do Rio) foram, em algum momento ao longo desses últimos oito meses, objeto de atenção desta coluna.

O objetivo, nesse caso, foi apontar caminhos e alertar para o impacto que o voto deste ano poderá ter para recuperar o tempo que a capital e outros municípios perderam, além de mostrar os caminhos que podem levar às soluções necessárias.

O eleitor precisa, além de informação, de liberdade para escolher o candidato que merecerá seu voto e de quem cobrará, ao longo dos próximos quatro anos as soluções para os problemas de sua cidade.

Na semana passada, esta coluna deu destaque à restrição dessa liberdade em diversas localidades, onde o crime organizado tem imposto aos eleitores nomes de candidatos a vereador apoiados pela milícia e pelo tráfico .

A informação se baseou numa reportagem assinada pelas jornalistas Bruna Fantti e Thuany Dossares, de O DIA. Desde que os fatos vieram a público, as autoridades iniciaram uma investigação que poderá impedir que o crime tenha representantes em diversas câmaras municipais no Estado do Rio.

Ver as autoridades em ação para livrar o Rio da influência o crime organizado é, sem dúvida, motivo de alento — e saber que partiu dele a denúncia que deu origem às investigações é motivo de satisfação e orgulho para este jornal. Mas nada disso adiantará se o eleitor, sozinho na cabine, não escolher bem seu candidato.

Bom voto para todos.

(Siga os comentários de Nuno Vasconcellos no twitter e no instagram: @nuno_vcccls)


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