Fila no mutirão de emprego realizado pela Prefeitura de São Paulo no Cate Central da Avenida Rio Branco.
Rovena Rosa/Agência Brasil
Fila no mutirão de emprego realizado pela Prefeitura de São Paulo no Cate Central da Avenida Rio Branco.

A estreia deste espaço num dia 1º de maio não é à toa. Num país com 12 milhões de pessoas desempregadas, sem uma agenda clara de recuperação econômica pós-pandemia e imerso em cortinas de fumaça no debate político, temos urgência em pensar e implantar políticas públicas de geração de renda.

Entendendo o trabalho como uma atividade necessária para alcançar um objetivo - nesse caso, as condições dignas de viver em sociedade e, por consequência, exercer a cidadania, com seus direitos e deveres - o cenário brasileiro é ainda mais desolador.

Dados do IBGE mostram que, no último trimestre de 2021, tínhamos 4,8 milhões de brasileiros desalentados, pessoas que poderiam trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por fatores como falta de qualificação, experiência ou idade. Ou simplesmente por não terem o dinheiro da passagem de ônibus.

Além disso, a taxa de subutilização da força de trabalho chega a quase 1/4 da população brasileira, 24,3%, também segundo a PNAD Contínua. Permita-me fazer uma analogia simples: nosso país é um ótimo carro de corrida, mas com o tanque na reserva e combustível batizado.

Enquanto patinamos na busca de soluções ou sequer reconhecemos a dimensão desse problema, caminhos alternativos vão surgindo. E alguns são tortos. O subemprego expande, a informalidade é a escolha de milhões e a “uberização” das relações de trabalho gera insegurança e instabilidade para todos os envolvidos.

Estratégias efetivas, como o MEI - Microempreendedor Individual, não têm avanços; reformas necessárias, como a trabalhista e a previdenciária, se perderam no afã de privilegiar os já privilegiados e castigar os já castigados; a melhora do acesso à educação básica se restringe a discursos óbvios.

Nesse contexto, falta ao poder público vontade, coragem e credibilidade para mediar um diálogo amplo na sociedade. Mas mais que isso.

Quando, em 1886, trabalhadores de Chicago foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho havia um sentimento de união em nome de uma conquista maior. Mais de 130 anos depois, o que observamos em terras brasileiras é uma incômoda apatia.

Discutimos preferências, condições e crenças individuais, enquanto a pauta da coletividade segue como coadjuvante. Preocupamo-nos com o que o vizinho faz dentro do seu apartamento, mas a área comum do condomínio segue desmoronando.

Que nesse Dia do Trabalho, com 1/3 do ano eleitoral já cumprido, possamos lançar nossos olhos para os problemas reais que nos afligem: a fome, a miséria, o desemprego, o preconceito. Que sintamo-nos parte do tecido social, olhando para nossos irmãos não com piedade, mas com senso de justiça social.

Que o trabalho seja o motor do nosso país.

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