
Uma contratação de criação diz muito sobre o momento de uma agência. Não apenas pelo nome que chega, mas pelo espaço que esse profissional ocupa e pelo tipo de desafio que a empresa pretende colocar em suas mãos.
Na Leo, esse movimento ganha contornos claros com a chegada de Rafael Merel como diretor de Criação. Redator de origem e com mais de duas décadas de carreira, ele passa a integrar a estrutura liderada por Vinicius Stanzione, Chief Creative Officer da agência, com atuação transversal.
A escolha do perfil chama atenção justamente por esse ponto. Em vez de uma atuação limitada a uma conta ou frente específica, Merel chega para contribuir com diferentes desafios criativos da Leo.
É uma sinalização importante em uma operação que afirma estar fortalecendo sua área de Criação e ampliando sua atuação.
Repertório como ativo criativo
A trajetória de Merel ajuda a entender o que a Leo busca com a contratação.
O profissional passou por agências como DM9DDB, F/Nazca Saatchi & Saatchi, Y&R, Africa e Lew'Lara\TBWA. Também ocupou posições de liderança, como vice-presidente de Criação da Heads e diretor-executivo de Criação da Nacional.
Ao longo desse percurso, trabalhou para marcas como Itaú, Heineken, Nissan, Nubank, Nike e Heinz e acumulou reconhecimentos em festivais como Cannes Lions, One Show, D&AD, Clio, El Ojo de Iberoamerica, FIAP e Clube de Criação.
Também participou de júris do mercado publicitário e foi duas vezes jurado do Prêmio Jabuti.
Mais do que uma lista de cargos, contas e prêmios, o histórico ajuda a explicar a palavra escolhida pela própria Leo para definir o profissional: repertório.
Vinicius Stanzione destaca justamente a experiência e a capacidade de Merel de transitar por desafios muito diferentes sem perder a inquietação. É esse tipo de combinação que a agência afirma buscar ao fortalecer seu time.
Criatividade e tecnologia na mesma conversa
A chegada também coloca outro elemento em evidência: a relação entre criatividade e tecnologia.
Ao falar sobre a nova casa, Merel afirma que a Leo tem investido cada vez mais em tecnologia para potencializar a criatividade e transformá-la em um diferencial ainda maior.
A declaração conversa diretamente com o posicionamento apresentado pela própria agência, que se define como uma operação que conecta marcas e pessoas por meio de insights humanos na Era da IA.
Aqui está um dos pontos mais interessantes do movimento.
A Leo não apresenta a tecnologia como substituta da criatividade. A lógica apresentada é outra: usar a tecnologia para potencializar aquilo que já está no centro da agência.
A chegada de um profissional com uma trajetória construída em diferentes agências e posições de liderança reforça essa combinação entre experiência criativa e novas possibilidades.
Uma criação que precisa atravessar a agência
A atuação transversal de Merel também merece atenção. A Leo afirma que o novo diretor de Criação chega para contribuir com diferentes desafios, dentro de uma estrutura que reúne 250 colaboradores e 18 clientes, entre eles Fiat, Jeep, Mondelēz, LEGO, Nespresso, Ram, Samsung, Spotify e Paramount.
Nesse cenário, a escolha por um profissional com experiência em diferentes contas, agências e posições de liderança ganha uma dimensão estratégica.
O repertório não fica restrito a uma campanha. Pode circular pela operação, cruzar diferentes desafios e contribuir para uma visão mais ampla da criação.
É justamente essa capacidade de transitar que aparece tanto na descrição feita por Stanzione quanto na própria trajetória de Merel.
O que a chegada sinaliza
A Leo também vive uma nova etapa desde 2025, quando passou a fazer parte da Leo Constellation, rede criativa global do Publicis Groupe presente em mais de 90 países e formada por cerca de 15 mil talentos.
A chegada de Merel se soma a esse movimento de combinar profissionais que fazem parte da história da agência com novos olhares e repertórios.
No fim, é menos sobre simplesmente preencher uma cadeira de direção e mais sobre o tipo de criação que a Leo quer fortalecer.
A mensagem da agência é relativamente direta: experiência, inquietação, repertório e tecnologia precisam trabalhar juntos.
E, para uma operação que coloca a criatividade no centro de sua proposta, a escolha de quem vai ajudar a conduzir esse pensamento nunca é apenas uma questão de organograma.
