
Todo mercado regional de mídia tem uma especificidade que o diferencia dos grandes centros. Em Brasília, essa especificidade tem nome: mídia governamental . É justamente aí que a retomada do Grupo de Mídia do Distrito Federal (GMDF) — antigo Grupo de Mídia de Brasília — fica mais interessante do que uma simples reativação institucional.
Com nova diretoria e um plano de atuação voltado à integração da cadeia de mídia, o GMDF quer reunir profissionais, agências, veículos, plataformas, anunciantes, institutos de pesquisa e universidades em torno de uma agenda comum. Entre os primeiros movimentos estão a retomada da comunicação institucional, uma nova identidade e a produção de conteúdo sobre tendências, cases e transformações do setor.
Formação como eixo central
O calendário previsto pelo grupo inclui cursos, palestras, webinars e encontros técnicos sobre temas que fazem parte da rotina das empresas: inteligência artificial, retail media, mídia programática, métricas de atenção, DOOH e mídia governamental.
"Nessa fase atual, o grande foco será na capacitação técnica e alinhamento de conhecimentos e informações entre os profissionais de mídia, fortalecendo toda a cadeia produtiva de mídia, passando por clientes, agências e veículos", explicou o presidente do GMDF, Leandro Grisoni.
Esse último tema não é um item qualquer na lista. A forte presença de órgãos públicos, empresas estatais e instituições na economia local coloca a mídia governamental como uma frente de trabalho que poucos outros mercados brasileiros têm na mesma escala — e que raramente aparece em agendas de formação genéricas, pensadas para São Paulo ou Rio de Janeiro .
"Um mercado que concentra tanta comunicação pública e privada exige profissionais preparados para um nível de rigor técnico muito alto, e o GMDF quer ser referência nessa qualificação", disse Grisoni ao iG. "Queremos que o GMDF seja a principal referência sobre o mercado de mídia do Distrito Federal e um dos mais importantes do Brasil."
Para ele, a proposta responde a uma lacuna do próprio mercado local. "Brasília tem um dos mercados de mídia mais estratégicos do país, mas estava sem um espaço para troca de conhecimento, formação e diálogo entre os profissionais. O Grupo de Mídia do Distrito Federal nasce para ocupar esse lugar e devolver ao mercado um ponto de encontro que ele merece", afirma Grisoni.
Mercado e academia na mesma mesa
O GMDF também pretende aproximar mercado e academia, com parcerias com universidades e faculdades para estimular a formação de novos profissionais e criar pontes com quem está entrando na atividade.
Além dos cursos, a agenda prevê cafés com o mercado, encontros técnicos, ações de networking e um evento de lançamento da nova fase — a ideia é ter presença contínua no setor, não só ações pontuais.
Dois projetos de médio prazo dão a dimensão da ambição: um Hub do Conhecimento, com cursos, pesquisas e boas práticas, e mais adiante uma Academia GMDF, com trilhas de aprendizagem e certificações.
Uma entidade que também quer produzir dado
Formação é só metade do plano. O GMDF também quer produzir inteligência sobre a mídia do Distrito Federal — pesquisas, indicadores, estudos e relatórios que documentem as características e a evolução do mercado local.
É um movimento que faz sentido: mercados regionais costumam ficar de fora das pesquisas nacionais de mídia, o que dificulta decisões de investimento e planejamento por falta de dado local. Se o GMDF conseguir sustentar essa produção de inteligência ao longo do tempo, o grupo se torna referência não só por reunir gente, mas por gerar informação que hoje simplesmente não existe sobre esse mercado.
A nova diretoria reúne profissionais de diferentes empresas e áreas: Leandro Grisoni na presidência, Lina Aredes na vice-presidência, Mayko Chaves na Comunicação, Cecília Crespo em Eventos e Relacionamento com o Mercado, Michely Dambrosi na área Técnica e de Formação Profissional, e Iago Joston na Diretoria Financeira .
A aposta do GMDF é que, num momento em que a mídia muda de formato, plataforma e métrica com uma velocidade difícil de acompanhar sozinho, ter um espaço permanente de troca entre quem compra, planeja, vende, cria, mede e entrega mídia deixa de ser luxo e vira necessidade — principalmente num mercado com as particularidades do Distrito Federal .
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG