
A criação da Praia® pela AlmapBBDO diz mais sobre a transformação das agências do que sobre o lançamento de uma nova unidade. O movimento mostra como o branding deixou de ser uma entrega isolada de identidade visual e virou uma disciplina conectada ao negócio, à tecnologia, à cultura e à operação das marcas.
A nova unidade reúne estratégia, branding e design e nasce com uma proposta que acompanha a marca desde o diagnóstico e posicionamento até a construção dos sistemas de identidade e suas aplicações. Liderada por Marcus Sulzbacher e Caroline Rua, a Praia também vai atender empresas que não fazem parte da carteira da Almap .
De departamento a negócio
A lógica faz sentido porque responde a uma mudança na demanda dos anunciantes. Marcas precisam manter consistência em mais canais, formatos e pontos de contato, ao mesmo tempo em que adaptam sua expressão a novos comportamentos e tecnologias.
Nesse cenário, entregar um brand book já não encerra o trabalho. A questão passa a ser como transformar estratégia em um sistema capaz de orientar decisões no cotidiano.
A Almap posiciona a Praia exatamente nesse ponto. A unidade vai trabalhar perto da área de estratégia, liderada por João Gabriel Fernandes, combinando conhecimento de negócio, comportamento, cultura, criatividade e design.
O modelo também amplia o ecossistema comercial da agência. A Praia se soma a iniciativas como a Vista, dedicada a out-of-home, e a LAB Humanidades, voltada a estudos sobre comportamento humano, além de competências em martech, retail, shopper e live marketing.
Na prática, a agência passa a oferecer portas de entrada mais específicas para diferentes desafios dos clientes, sem depender necessariamente de uma contratação que envolva toda a estrutura de comunicação .
O branding como sistema vivo
Outro ponto estratégico está na definição da marca como um "sistema vivo". A ideia muda a natureza do branding : em vez de pensar só em símbolo, cor, tipografia ou posicionamento, a discussão passa a envolver comportamento e aplicação.
O projeto desenvolvido para a Riachuelo é citado como exemplo dessa abordagem, com investigação sobre negócio, história da companhia, públicos e contexto cultural antes da construção do posicionamento e da expressão da marca.
É uma lógica que aproxima branding de transformação empresarial.
Moda, beleza e inteligência artificial
A Praia estreia com duas verticais. A Praia Style concentra expertise em moda e beleza e já começa com o rebranding de Ipanema, da Grendene.
Já a Praia OS aposta numa fronteira mais estratégica: uma plataforma de construção e gestão de sistemas de marca com inteligência artificial embarcada.
O ponto mais interessante está nessa combinação. A IA não entra só como ferramenta de criação, mas como infraestrutura para ampliar a capacidade de aplicar, gerir e evoluir os códigos de uma marca.
Essa movimentação aponta para uma disputa que vai além da publicidade tradicional. À medida que marcas viram sistemas complexos, as agências também precisam reorganizar suas próprias competências. É desse movimento que nasce a Praia : transformar conhecimento acumulado numa oferta especializada, escalável e conectada à operação real das marcas.
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG