Marcelo Conduru e Paulo Castro compartilharão a liderança da NextJor
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Marcelo Conduru e Paulo Castro compartilharão a liderança da NextJor

O mercado de comunicação adora falar em integração. Na prática, porém, ainda é comum encontrar agências organizadas em caixas: publicidade de um lado, PR do outro, dados em outra sala, tecnologia em algum lugar e, no meio disso tudo, o cliente que tenta fazer as peças conversarem.

É justamente contra essa lógica que nasce a NextJor. A partir de setembro, as agências NEXT, do Grupo Dreamers, e JOR, do Grupo Approach, passam a operar sob uma única marca. São 250 profissionais, cerca de 40 clientes, presença em quatro capitais e operações em Fortaleza e no Rio Grande do Sul. A expectativa é crescer mais de 40% no primeiro ano completo.

Os números impressionam, mas não são o que há de mais interessante nesse movimento.

O ponto relevante é o diagnóstico que está por trás dele: as marcas mudaram mais rápido do que as estruturas das agências.

O cliente não compra mais uma disciplina

Durante décadas, a especialização foi uma das grandes virtudes do mercado. Havia agência de publicidade, assessoria de imprensa, empresa de eventos, consultoria de branding, mídia e, depois, especialistas em digital.

O problema é que o consumidor nunca enxergou essas divisões. Para ele, uma marca é uma só.

A experiência que começa em um anúncio pode continuar nas redes sociais, chegar ao ponto de venda, virar assunto na imprensa e terminar em uma conversa com um influenciador.

O desafio, portanto, deixou de ser simplesmente executar bem cada disciplina. É conseguir conectar todas elas em torno de um mesmo problema de negócio.

É nesse ponto que a NextJor tenta se posicionar.

A nova operação combina a experiência da NEXT em criação, inovação, agilidade e relacionamento com a mídia com a atuação da JOR em dados, planejamento, estratégia e jornada do consumidor.

Não é apenas uma soma de serviços. Pelo menos na teoria, é uma mudança de lógica.

Integração não pode virar burocracia

Existe, porém, uma armadilha nesse modelo. Quanto maior o portfólio, maior o risco de criar uma agência que promete fazer tudo e, justamente por isso, demora para fazer qualquer coisa.

O discurso de integração só funciona se vier acompanhado de velocidade. E os próprios executivos colocam proximidade e participação dos sócios no dia a dia como elementos importantes da operação.

Essa talvez seja a parte mais difícil da equação.

Uma agência contemporânea não precisa necessariamente ter menos especialistas. Precisa ter menos barreiras entre eles.

É aí que tecnologia e inteligência artificial entram como ferramentas estratégicas, e não como palavras obrigatórias em um PowerPoint corporativo. A NextJor pretende usar IA para ampliar análise, acelerar processos, apoiar decisões e potencializar criatividade e performance.

O desafio será provar que tecnologia consegue eliminar fricção sem eliminar pensamento.

O futuro é do ecossistema, não do organograma

A criação da NextJor também mostra que movimentos de consolidação não precisam significar necessariamente a fusão completa de grupos.

Dreamers e Approach continuam independentes. O que se une são as operações de NEXT e JOR.

É uma arquitetura interessante porque preserva os ecossistemas de origem, mas cria uma nova plataforma para disputar projetos maiores e mais complexos.

E existe uma história de relacionamento por trás disso. Dreamers e Approach mantêm uma parceria profissional de quase 30 anos, que passa pela comunicação do Rock in Rio, da Artplan e de outros projetos do grupo.

Ou seja: antes de virar estrutura societária, a integração já havia sido testada na prática.

Para o mercado, essa talvez seja a principal lição.

A agência do futuro não será necessariamente aquela que oferece mais serviços, mas aquela que consegue transformar diferentes competências em uma resposta única para o cliente.


O movimento da NextJor é, portanto, menos sobre juntar duas agências e mais sobre reconhecer que o briefing mudou.

Hoje, o cliente não quer saber em qual ponto termina a publicidade e começa o PR. Não quer discutir se determinado problema pertence à criação, ao planejamento ou aos dados.

Ele quer resultado.

E, se o mercado realmente entrou nessa fase, talvez o próximo grande diferencial das agências não seja a especialidade que elas conseguem vender, mas a quantidade de silos que conseguem derrubar.

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