Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann
Flickr/Governo do Estado de São Paulo
Secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann

A essa altura, parece não haver mais sentido manter a discussão sobre a forma mais correta de agir diante da pandemia provocada pelo coronavírus. A ideia de que as recomendações para isolamento das pessoas são exageradas e de que a deficiência respiratória causada pelo vírus não é mais que uma “gripezinha” foi derrotada pelas evidências e pelos números.

O problema se alastrou e a confirmação, nesta quinta-feira, da morte de uma mulher em Goiânia incluiu a região Centro-Oeste numa estatística macabra: há casos de contaminação em todos os estados e coronavírus já fez vítimas fatais nas cinco regiões do país.

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O problema é maior, é claro, em São Paulo — onde se concentra a maior quantidade de casos. Pelos números divulgados na última quarta-feira, das 2433 pessoas contaminadas no Brasil, 862 vivem ou viviam em São Paulo: até aquela altura, 57 homens e mulheres já tinham morrido em consequência da doença.

O número torna-se ainda mais alarmante quando se sabe que, dias atrás, São Paulo abrigava quase 80% do total de infectados do país — percentual que, esta semana, se reduziu para 35% .

Seria ótimo se a queda da participação de paulistas nos dados nacionais do coronavírus tivesse se dado pela redução do ritmo de contaminações no estado. Não foi o que aconteceu. A redução se deu foi porque o vírus se espalhou pelo país inteiro.

Distanciamento social 

Quem chamou a atenção para essa realidade foi o secretário da Saúde de São Paulo, José Henrique Germann que se mostrou satisfeito com a adesão da população às medidas de “distanciamento social” propostas pelo governo.

Ele não descartou, porém, que, venham a ser tomadas medidas mais duras de restrição da movimentação das pessoas pelas ruas. “Estamos fazendo o isolamento social”, disse Germann na entrevista coletiva concedida pelo governo de São Paulo nesta quinta-feira, no Palácio dos Bandeirantes.

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“O próximo passo, se houver necessidade, será o isolamento. E se houver necessidade de apertarmos ainda mais esse cindo, aí seria o lockdown, que se caracteriza pelo uso da força policial para manter as pessoas em casa”.

Existe, como as palavras do secretário deixam evidente, uma gradação de rigor entre essas três medidas. A primeira, a do distanciamento social , significa a restrição de contatos com pessoas que não morem numa mesma casa.

Uma determinada família se tranca dentro de casa e só sai para comprar comida e medicamentos. Nessas ocasiões, a pessoa que for às compras deverá procurar se manter a uma distância segura (de pelo menos 1,5 metro) das pessoas que encontrar na rua.

E terá que ter o cuidado, ao voltar para casa, de tirar os sapatos e trocar as roupas antes de ter contato com os outros moradores. Isso é fundamental para evitar que a pessoa traga o vírus para dentro de casa e exponha os outros moradores ao risco.

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Isolamento 

A segunda medida, o isolamento, ainda é voluntária — ou, quando muito, tomada por recomendação médica .

Ela é exigida, especialmente, de pessoas com mais de 60 anos ou que tenha alguma comorbidade (outra palavra sempre mencionada durante essa pandemia) que ponha sua vida em risco no caso de contaminação .

Por comorbidade entenda-se problemas cardíacos, deficiência imunológica, diabetes ou qualquer outra doença mais séria.

Essa pessoa deve ficar isolada e não sair de casa nem para comprar alimentos e remédios. Tudo o que ela necessitar será trazido por um parente ou um entregador, com quem não terá contato direto . A mercadoria será deixada em sua porta e recolhida depois que o portador tiver se retirado.

Lockdown 

Tanto o distanciamento social quando o isolamento são medidas baseadas no bom senso. A pessoa se convence da necessidade de restringir seu convívio social e, por iniciativa própria, se recolhe a sua casa por decisão livre e espontânea.

A terceira medida, o lockdown , é a mais radical de todas e equivale, por assim dizer, a uma prisão domiciliar. A princípio, se alguém que deva estar isolado — ou por risco de contrair a doença ou pela possibilidade de contaminar outras pessoas — sair de casa por qualquer razão, a polícia terá autoridade para abordá-lo, levá-lo de volta para casa e mantê-lo lá, ainda que contra sua vontade.

Caso a doença se alastre e a contaminação saia do controle, essa medida valerá para todos que não tenham uma razão profissional para estar na rua.

Sim. Há profissionais que, ainda que se exponham ao risco da doença, precisam circular pelas ruas, utilizar o transporte público e estar em contato com outras pessoas.

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As  próprias medias de controle da pandemia só serão eficazes se houver caixas nos supermercados, balconistas nas farmácias, motoboys e entregadores circulando pelas ruas, policiais cuidando da segurança, garis recolhendo o lixo, profissionais de saúde atendendo os doentes e mais uma série de profissionais.

Essas pessoas devem utilizar equipamentos de proteção, como máscaras, luvas cirúrgicas e, claro, álcool em gel para higienizar as mãos sempre que houver necessidade.

Isso reduzirá o risco de contágio e contribuirá para que, mais cedo do que se espera, o país recupere a liberdade, o direito e ir e vir — que é sagrado para qualquer um — e, principalmente, volte a trabalhar.  

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