Ministro do STF, Flávio Dino suspendeu emendas impositivas e incomodou lideranças do Congresso
Gustavo Moreno/SCO/STF
Ministro do STF, Flávio Dino suspendeu emendas impositivas e incomodou lideranças do Congresso


Publicidade

As relações entre os poderes da República oscilam. De certo modo é natural, pois se trata de algo dinâmico, não estático. Mas, vivemos um momento de escaramuças entre os poderes de um modo geral e, exatamente agora, com mais intensidade entre Legislativo e Judiciário.

Em mais um capítulo dessa relação por vezes conturbada, o Congresso rejeitou uma medida provisória que daria R$ 1,3 bilhão para o Judiciário . O texto foi analisado na CMO (Comissão Mista de Orçamento) e agora vai para o Plenário.

Extra-oficialmente se diz que a negativa do Congresso é uma reação ao ministro do STF, Flávio Dino , que  suspendeu todas as emendas impositivas apresentadas por deputados federais e senadores ao orçamento da União. A MP reservava R$ 6,6 milhões só para o Supremo .

Para botar mais gasolina na fogueira, a MP rejeitada atendia uma determinação do TCU que reconheceu a insuficiência dos orçamentos do Judiciário e o Ministérios Públicos Federais. Ou seja, ao menos na aparência, a MP em questão atendia critérios técnicos e não políticos. Alguns parlamentares, contudo, discordam. O deputado Carlos Cajado, por exemplo, afirmou que a MP "fulmina de morte o conceito que essa Casa votou ao aprovarmos o arcabouço fiscal".

Alexandre de Moraes

Como um componente extra neste contexto, surge o chamado " Caso Vaza Toga ", o imbróglio a envolver o ministro Alexandre de Moraes e sua assessoria em ações em tese não republicanas. Como Moraes já foi objeto de diversas tentativas de impeachment, há um sentimento constante de retaliação no Congresso -- especialmente no Senado -- que parece ter encontrado agora a mais favorável das condições para finalmente levar adiante, de modo bem sucedido, o impedimento do ministro.

Publicidade

Essa diatribe entre os poderes é, no mais das vezes, pura encenação, afinal, há muitos interesses em jogo, interesses recíprocos e, quando as partes envolvidas tem ganhos e perdas a considerar, tem também o que negociar. Há, contudo, a possibilidade da crise escalar e se aprofundar. O que ocorrerá neste caso específico, só o futuro dirá.

Para mais textos meus e de outros pesquisadores, acesse Instituto Convicção .

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG

    Mais Recentes

      Comentários

      Clique aqui e deixe seu comentário!