Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay
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Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay



“Quem foi que viu a minha Dor chorando?!
Saio. Minh’alma agoniada.
Andam monstros sombrios pela estrada
E pela estrada, entre estes monstros, ando!”
Augusto dos Anjos, poema Queixas Noturnas

Em um tempo no qual usar máscaras pode significar salvar vidas, é muito interessante ver algumas pessoas tirando as máscaras. Os melhores exemplos são o ex-juiz que instrumentalizou o Poder Judiciário e o procurador que usou o Ministério Público para se auto promover. Ambos ávidos por glória e em nome de um projeto de poder. Não se envergonharam de utilizar dos cargos públicos para, pisando em todos os princípios democráticos, alcançar seus objetivos a qualquer custo.

Usaram a máquina bolsonarista e se deixaram usar da mesma forma para serem os responsáveis diretos por uma fraude ao corromperem o sistema de justiça. Estão no âmago de toda a tragédia brasileira da assunção do fascismo, sendo responsáveis diretos por este governo que corrói todo e qualquer avanço humanista conquistado nas últimas décadas. Serviram de catapulta para destruir os progressos sociais e instalaram no país um regime de força obscurantista e vulgar.

Após a eleição, na qual foram os principais atores ao forjar a prisão do maior opositor ao atual presidente, saíram temporariamente de cena. Foram expulsos por uma briga de quadrilha e, agora, desmascarados, resolvem assumir oficialmente o lado político que sempre foi a marca deles.

Numa democracia, nada mais salutar para quem tem ambição política partidária do que submeter o nome ao sufrágio universal. É representativo e democrático. O que se questiona são os métodos adotados para chegar onde chegaram. Lambuzaram-se da demagogia barata usando os poderes dos cargos públicos para se apresentarem como salvadores da pátria. Em conluio com parte da grande mídia, desenvolveram um enredo de filme de terror e o venderam como filme de ação, com bandidos e mocinhos. Uma narrativa banal e rasa, mas que, bem encenada e dirigida, enganou boa parte do povo brasileiro.

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Hoje, o país vive o caos desgovernado e desmoralizado frente ao mundo inteiro. Todas as áreas foram sucateadas e a tragédia se revela em uma multidão de famélicos, de desempregados, de órfãos e de viúvos de mais de 600 mil brasileiros que perderam as vidas. A impressão que restou é a de que o país perdeu o rumo, o prumo e a esperança. Legaram-nos um Brasil destroçado e sem alma. O grupo representado por esses dois atores está na base desse caos.

Mas é interessante observar que a falta de caráter parece ser, para alguns, aparentemente resolvida pelo domínio de uma narrativa. Os responsáveis diretos pela tragédia e pela desgraça do país vão agora se apresentar como os salvadores da pátria.

O lançamento do chefe da gangue à presidência da República tem o slogan: “Juntos, podemos construir um Brasil justo para todos”. Abandonaram o “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Trabalharam para o caos e agora se apresentam como sendo os novos redentores para limpar a sujeira que eles mesmos fizeram.

O Brasil não merece isso e precisa se libertar das amarras desse grupo. Na verdade, eles terão que ser responsabilizados inclusive criminalmente pelos inúmeros abusos. A condenação recente de cinco procuradores da força-tarefa da Lava Jato de Curitiba a devolver uma verdadeira fortuna por terem recebido dinheiro público de maneira ilegal, é apenas o começo.

Eles, Moro e Bolsonaro, são representantes do mesmo projeto e foram bem definidos pela “conja” do ex-juiz: “Eu vejo o Moro e Bolsonaro como uma coisa só”. Pelo menos nesse ponto eles não mentiram. Agora, vão usar as máscaras para definir uma nova narrativa.

O Brasil virou um país cansativo e triste. Socorro-me à grande Clarice Lispector, “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”

Antônio Carlos de Almeida Castro, Kakay

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