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Cientistas usam aglomerados estelares para mostrar como a galáxia espiral engoliu seus vizinhos para adquirir mais gás e estrelas

A galáxia de Andrômeda vista na luz ultravioleta. arrow-options
Nasa/JPL-Caltech
A galáxia de Andrômeda vista na luz ultravioleta.

O universo não é um lugar tranquilo. Filmes de ficção científica podem dar a impressão de um lugar pacífico, silencioso, mas visto ao longo de bilhões de anos podemos notar um ambiente hostil, onde apenas os mais fortes sobrevivem.

Um caso particularmente violento é a formação e evolução de galáxias. Já havia discutido em outro post   o caso de colisões de galáxias semelhantes, um grande espetáculo cósmico. Por outro lado, temos também casos como o de Andrômeda , com uma história de devorar seus vizinhos menores. É uma verdadeira canibal espacial!


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Arqueologia galáctica de Andrômeda


Em resultado recente, publicado na revista Nature, os astrônomos australianos Dougal Mackey e Geraint Lewis trabalharam como verdadeiros arqueólogos galácticos, tentando recuperar a história canibalística da galáxia de Andrômeda.

Uma das principais dificuldades que temos para estudar essa história é que galáxias não têm muitos bons modos à mesa: quando engolem galáxias menores, acabam destruindo-as, deixando pedaços espalhados por todo lado. Assim, é difícil recuperar as características das galáxias originais.

A estratégia usada neste trabalho foi utilizar aglomerados globulares. Estes conjuntos de estrelas são compactos e resistem melhor os efeitos gravitacionais do processo de fusão com galáxias maiores.

Assim, os astrônomos puderam medir a idade e movimento dos aglomerados ao redor de Andrômeda para reconstruir sua história, e concluíram que os corpos mais jovens estão associados aos remanescentes galácticos que ainda podemos ver, resultado de uma refeição que aconteceu há cerca de 2 bilhões de anos. Os mais velhos já foram incorporados à própria galáxia — digeridos, por assim dizer.


Reconstruindo o quebra-cabeça


Imagem da galáxia de Andrômeda com os aglomerados globulares. Crédito: Australian National University / NSF's National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory


Trabalhos como este são fundamentais para entendermos a história de formação de  galáxias. Como vimos, galáxias não crescem sozinhas, mas são o resultado da fusão de diversas galáxias menores ao longo de sua história.

Podemos até mesmo ver remanescentes de galáxias que a própria Via Láctea, onde vivemos, devorou. Ao estudar a formação de outras galáxias, podemos entender melhor nossas próprias origens.


PS: Peço desculpas aos leitores pelo hiato nas publicações, mas nem sempre a vida de um astrônomo-professor-pai-colunista é fácil. Espero poder voltar a publicar a coluna semanalmente!

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