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Saudações astronômicas!

Sejam bem-vindos e bem-vindas à mais nova coluna sobre novidades da ciência e da astronomia, a Astronotícias! Semanalmente, vou apresentar algumas das mais novas descobertas, aproveitando sempre o fascínio que o estudo do cosmos exerce sobre todos nós.

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Asteroide 162173 Ryugu, obtida por um veículo levado pela missão Hayabusa2, da Agência de Exploração Aerospacial Japonesa (JAXA)
Jaxa
Asteroide 162173 Ryugu, obtida por um veículo levado pela missão Hayabusa2, da Agência de Exploração Aerospacial Japonesa (JAXA)

Existe um motivo principal pelo qual considero essa iniciativa tão importante: a ciência brasileira é tão frequentemente desvalorizada no país. No entanto, ao contrário do que alguns pensam, nós temos pesquisa, sim, e de ponta. Contamos com excelentes cientistas, de grande renome internacional. Se não sabemos disso, é porque nós, cientistas brasileiros, falamos pouco de astronomia .

Você já ouviu falar da NASA ? Acho que sim, certo? Pois é, a agência espacial norte-americana é tão famosa porque — além de todo o dinheiro que têm para investir em pesquisa, claro — sabe fazer uma tremenda propaganda. Aquela marca bonita aparece em tudo quanto é filme de Hollywood, o telescópio espacial Hubble vive mostrando algumas das imagens mais bonitas já feitas do nosso universo, e com o tempo e a exposição o público passa a entender a importância e relevância da ciência.

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Se quisermos que o país cresça cientificamente, é preciso não apenas mostrar os benefícios do investimento em pesquisa, mas também o muito que já se faz no Brasil. Aqui descobrimos que asteroides também podem ter anéis ao seu redor. Aqui estudamos buracos negros supermassivos no centro de galáxias nos confins do universo. Aqui se descobrem novos planetas ao redor de estrelas distantes.

Nós, cientistas, temos o dever de comunicar nossas descobertas a todos e todas. Essa aproximação entre pesquisa e divulgação é nossa forma de apresentar à sociedade os resultados do investimento em ciência, e só assim podemos convencer governantes da importância do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Nesse contexto a astronomia ocupa posição privilegiada, sendo uma área que lida com perguntas tão fundamentais (“de onde viemos, e para onde vamos?”).

Mas não se preocupem, isso não quer dizer que falarei apenas sobre o que é feito no Brasil. Também pretendo aproveitar as grandes notícias, as últimas descobertas, quando algo acontece em qualquer parte da Terra — ou fora dela — que traz algo de novo e instigante ao estudo dos astros.

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Para deixá-los com um gostinho de quero mais, termino meu primeiro texto com uma imagem do asteroide 162173 Ryugu, obtida por um veículo levado pela missão Hayabusa2, da Agência de Exploração Aerospacial Japonesa (JAXA). Após quase 4 anos de viagem, a missão conseguiu há pouco mais de uma semana pousar com sucesso no asteroide e enviou de volta essa imagem da sua superfície.

Prestem atenção: é a primeira vez na história que a humanidade consegue pousar um veículo em um asteroide no sistema solar. Uma rocha do tamanho de um pequeno lago ou vilarejo a centenas de milhões de quilômetros da Terra, e conseguimos enxergar pedrinhas do tamanho de bolas de gude em sua superfície. Não sei quanto a vocês, mas pra mim isso é um feito assombroso, e um grande exemplo do que a astronomia tem a oferecer.