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Coluna Afro Igualdade conversou com várias personalidades para discutir qual é o termo mais aceitável; acompanhe as diversas opiniões

Qual a palavra correta para se referir aos afrodescentes? Para o músico e ativista ganês radicado no Brasil Nabby Clifford, “preto” é o único termo aceitável. Ele sugere: "Já que o mundo mudou, vamos mudar nossa linguagem também”, diz Clifford, em um vídeo que causou repercussão e está com quase dez milhões de visualizações em uma rede social. E você, o que acha?

Leia também o primeiro texto da coluna: A "luta" continua

Mariene de Castro, cantora e atriz: "Eu sou preta, negra, nega, neguinha, pretinha, mulata, cabocla, criola... Mas de verdade, no meu registro, consta que sou parda. Isso é cor? Quando ouço essa nomenclatura, minha alma afrodescendente arrepia. Sou toda a mestiçagem do meu povo que se misturou e assim surgiu; alguém com traços de índio, negro e de rebarba, português. Mas como não? Se assim foi o jeito que tudo se sucedeu. Não me ofendo com nomenclatura, me ofendo com o desrespeito, alheio, com todo e qualquer tipo de racismo e preconceito. Minha mãe de criação é albina; pele clarinha, olhos claros, cabelo esbranquiçado. Quem há de dizer que ela não é negra? E ela com pele clara já foi tão atacada e ofendida por ser assim. Nascida pelas mãos do criador, assim como eu, como você."

 Mariene de Castro, cantora e atriz
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Mariene de Castro, cantora e atriz

Nathalia Santos, youtuber e blogueira: "Essas diferenças são irrelevantes para quem enxerga com o coração. No meu caso, sou negra, e enxergo tudo preto. É no preto que me acho! Socialmente quando ganho na loteria: a nota é preta; mas se tenho fome: ela ainda é negra. Vai entender! A gente precisa mesmo é readequar o sentido da palavra, aprendendo a respeitar as diferenças. Entre pretos e negros, ainda somos seres-humanos."

 Nathalia Rodrigues, youtuber e blogueira
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Nathalia Rodrigues, youtuber e blogueira

MC Marcinho, cantor de funk: "Preto é cor, negro é raça; mas tudo varia da intenção em que é dita. Nós do Funk já somos rotulados por diversos 'pré-conceitos'. Não importa a denominação, precisamos mesmo é de respeito. Eu exijo respeito, sempre."

MC Marcinho, cantor de Funk
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MC Marcinho, cantor de Funk

Maurício Poeta , vocalista do grupo Puro Acaso: "Pra mim, negro é mais adequado, quando se refere a raça, mas preto não esta errado uma vez que a raça 'supostamente oposta' é branca. Não é o termo que ofende; é a maneira como é empregado. Com respeito, negro ou preto não faz diferença. Eu sou um pretinho tipo A!"

Maurício Poeta, vocalista do grupo Puro Acaso:
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Maurício Poeta, vocalista do grupo Puro Acaso:


Modou , estudante de Geografia: "O correto é negro. Preto é cor. Lá em Senegal usamos a lingua wolof, não tem esses termos. Falo inglês, francês e espanhol e nunca me referi a outro 'irmão' como preto."

Modou, estudante de Geografia
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Modou, estudante de Geografia


Ynaê Lopes , professora da Escola Superior de Ciências Sociais e História da FGV"Discutir que termo é mais adequado para se referir aos negro(a)s e/ou preto(a)s brasileiros é, por um lado, discutir o caráter estruturante do racismo na sociedade brasileira. Historicamente, os dois termos carregam as pechas da instituição escravista e das políticas racistas que marcaram a trajetória de exclusão dos afrodescendentes no Brasil, tendo sido utilizados como forma de menosprezar tais pessoas nas mais diferentes formas e situações. Dessa feita, a escolha mais adequada está vinculada às formas por meio das quais negro(a)s e preto(a)s do Brasil se identificam e se compreendem como indivíduos. É a voz negra e preta (na sua multiplicidade) que precisa ser respeitada.”

YNAÊ LOPES, professora da Escola Superior de Ciências Sociais e História da FGV
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YNAÊ LOPES, professora da Escola Superior de Ciências Sociais e História da FGV


Maira Helen, atriz: "Além de distinguir as pessoas, o que se faz com esse tipo de informação? O mundo ideal é aquele onde não é necessária uma identificação
através da cor da pele. Na minha opinião isso segrega mais. Para mim, raça só existe uma: a humana. Você tem que enxergar o indivíduo e não a cor da sua pele. Como a época da escravidão na teoria já acabou faz tempo, também é chegada a hora de evoluirmos a ponto de não mais precisar colocar em pauta esse tipo de questão."

Maira Helen, atriz
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Maira Helen, atriz

Ivan Chagas, músico: "Seja preto ou negro, o que me incomoda é a forma como são proferidas essas palavras. Para mim, não se trata da origem da pessoa que fala e sim a forma, assim como é impossível alguém se referir a mim como 'moreno' e não sentir o teor do preconceito oculto, camuflando a abordagem falsa de quem tem medo de dizer negro ou preto..."

Ivan Chagas, músico:
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Ivan Chagas, músico:


Gabriel Cezario, modelo: "O correto seria negro, mas não me ofende em ser chamado de preto. Meu pai diz que o correto para ele é preto. Ele também não se ofende... Diz que ele é preto. Os brancos não dizemos que eles são brancos? Então, porque eu não posso ser preto? Tenho orgulho da minha raça!"

Gabriel Cezario, modelo
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Gabriel Cezario, modelo


Adriana Balbino, cabeleireira e modelo plus size: "Eu prefiro ser chamada de negra. No meu ponto de vista a cor preta é tudo que é ligado ao escuro, sujo, desrespeitoso. Já a cor negra impõe respeito. Eu sou NEGRA!"

Adriana Balbino, cabeleireira e modelo plus size
Divulgação
Adriana Balbino, cabeleireira e modelo plus size


Tomas Buzza , modelo e empresário: "Eu acho que depende da forma que se fala e de quem fala, Mas no geral eu prefiro ser chamado de negro. Acho o correto. Minha mulher e alguns amigos me chamam de 'preto', mas é de forma carinhosa... Pela intonação, sabemos quando alguém está falando de forma pejorativa..."

Tomas Buzza, modelo e empresário:
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Tomas Buzza, modelo e empresário:


Kelly Alimah , modelo: "Não me ofendo em ser chamada de preta. Até porque se trata de uma coloração. Se tem a cor branca, tem a cor preta e não existe a cor negra... Negra para mim são as características que trazemos, mas, historicamente, o homem foi ensinado a usar esse 'termo' para ofender e não apenas como um adjetivo..."

Kelly Alimah, modelo
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Kelly Alimah, modelo


João Jorge , presidente do Olodum. Mestre em Direito público, advogado, produtor cultural: "No Brasil atual, o uso da palavra negro ou preto não é o central da luta contra o racismo. Com ambas as palavras os descendentes de africanos sofrem, morrem e são discriminados. Me parece mais uma armadilha para dividir e colocar uns contra os outros. Precisamos lutar contra o preconceito. Independente da palavra e sim olhando para quem sofre os efeitos diretos e indiretos do racismo no Brasil." 

João Jorge, presidente do Olodum. Mestre em Direito público, advogado, produtor cultural
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João Jorge, presidente do Olodum. Mestre em Direito público, advogado, produtor cultural


Bethia Kongolo, modelo: "A palavra preta me ofende quando é falada de uma forma grosseira. Acho que não depende da cor da pessoa, e sim, o que ela quer expressar. Chamar uma branca de alemã é apelido, mas também é preconceito. E muitas vezes vem escondido no olhar... Mas confesso que não me incomodo quando sou chamada de preta, dependendo da pessoa – e da colocação - eu até gosto... Uma coisa é certa: sendo preta ou negra, quero ser respeitada!"

Bethia Kongolo, modelo
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Bethia Kongolo, modelo


Severo D'Acelino , ator e ativista: "Preto é cor negro é raça. Depende da expressão e entonação. É importante para afirmação da identidade e sobretudo a ênfase da autoestima. Não se pode afirmar que 'preto' seja o único termo aceitável. Cada grupo cultural tem sua manifestação. Para uns a expressão 'preto' é colonialmente pejorativo... É uma expressão não cultural, mas taxonômica..."

SEVERO D'ACELINO , ator e ativista
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SEVERO D'ACELINO , ator e ativista

Thulla Melo , cantora: "A forma correta e que me sinto confortável que me chamem é de negra. NEGRA é a minha raça. Porém, não me ofendo que me chamem eventualmente de preta. O que me ofende é o desrespeito com minha raça, a descriminação com meu povo, desigualdade e a falta de representatividade em diversas áreas. Isso sim me ofende! Preto, branco, amarelo... É apenas uma cor. NEGRA é minha raça e tenho orgulho."

Thulla Melo , cantora
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Thulla Melo , cantora


Júlio de Campos , executivo presidente do Conselho de administração do Grupo Júlio de Campos: "Sinceramente gosto dos dois: preto porque eu acho que a cor é sinônimo de charme e sofisticação, negro porque é um privilégio, afinal, carregamos uma história que, mesmo diante de tanta luta, representa parte de toda riqueza gerada no mundo. Me orgulho principalmente em poder contribuir para uma nova história desse povo que sofreu e hoje luta por um mundo melhor. Tenho orgulho de ser NEGRO. Afinal, somos lindos! "

Júlio de Campos, executivo presidente do Conselho de administração do Grupo Júlio de Campos
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Júlio de Campos, executivo presidente do Conselho de administração do Grupo Júlio de Campos

Janayra Martins, empresária e modelo: "Quando colocamos a palavra preto no Google encontramos como definição que é a cor mais escura, sendo o resultado da falta parcial ou completa da luz, ou seja uma pessoa preta não tem luz? Entretanto a palavra negro também​ está correlacionada a coisas negativas. Ainda assim, eu me sinto mais representada com a palavra negro, que remete as origens que tenho. Mesmo não tendo a pele preta eu sou negra por descendência!"

Janayra Martins, empresária e modelo
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Janayra Martins, empresária e modelo


Jamile Guedes, modelo e atriz: "O correto para mim é a palavra sem intenção de preconceito. Ou seja: não adianta nada ser negro ou preto, se a boca de quem chama é de um racista. A intenção da ação é que pode determinar se quem fala está se referindo a uma raça ou sendo preconceituoso."

Jamile Guedes, modelo e atriz
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Jamile Guedes, modelo e atriz


Lídia  Lúcia , professora Pesquisadora em Educação Especial com ênfase em Deficiência Mental: "Negro impõe mais respeito. Sou NEGRA! Agora, nada é mais lindo quando alguém especial me chama de 'Preta' [suspiros]."

Lídia Lúcia, professora Pesquisadora em Educação Especial com ênfase em Deficiência Mental:
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Lídia Lúcia, professora Pesquisadora em Educação Especial com ênfase em Deficiência Mental:


Bia Moreno, modelo: "Eu aprendi na minha primeira escola que o correto é preto. Minha mãe me chama de 'minha pretinha'. Na escola que estou agora me ensinaram que o correto é negro. Seja qual for o termo correto, não me ofendo: o que importa é que amo a minha cor e o meu cabelo."

Bia Moreno, modelo
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Bia Moreno, modelo


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