Vice-presidente Hamilton Mourão com o presidente Bolsonaro
Renato Costa / FramePhoto / Agência O Globo
Vice-presidente Hamilton Mourão com o presidente Bolsonaro.

O vice-presidente Hamilton Mourão negou, nesta sexta-feira (4), que o Brasil tenha interesse em “explorar a Amazônia” com os Estados Unidos .

Ao comentar uma cena do documentário “O fórum”, na qual o presidente Jair Bolsonaro demonstra essa intenção num diálogo constrangedor com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, Mourão minimizou a situação e disse que se tratava de “desinformações”.

"Essa aí é mais uma daquelas desinformações, quando se extrai de um mero contato feito pelo presidente Jair Bolsonaro , no Foro Mundial de Davos, no ano passado, que foi o primeiro evento internacional dele, uma tentativa de conversa em que ele procurou com o ex-vice-presidente Al Gore. Não tem essa questão de explorar a Amazônia com os estados Unidos", disse durante o evento “Retomada Verde”, promovido pelo Estadão.

Nesta semana, cenas do documentário sobre os bastidores do Fórum Econômico Mundial de Davos de 2019, viralizaram nas redes sociais. Num trecho do filme do diretor Marcus Vetter, Bolsonaro dispara para Al-Gore: “Temos muita riqueza na Amazônia e eu adoraria explorar essa riqueza com os Estados Unidos”. Visivelmente constrangido, Gore diz: “Não estou certo se entendi bem”.

"O presidente Bolsonaro, se não me engano agora na última terça-feira, ele deixou muito claro, toda e qualquer empresa pertencente a países democráticos que desejam fazer investimento na Amazônia dentro da nossa legislação será bem-vinda", completou Mourão.

Fundo da Amazônia

De acordo com o vice-presidente, o governo vai retomar, na próxima semana, as reuniões com  Alemanha e Noruega para tentar destravar os recursos disponíveis no Fundo Amazônia. Mourão avaliou que país tem como oferecer “credibilidade” aos representantes internacionais para receber os investimentos.

"Na semana que vem, estamos retomando [as reuniões], uma vez que com os dados da Operação Verde Brasil 2 e com o planejamento que nós temos do Conselho da Amazônia Legal, nós temos o que oferecer em termos de credibilidade aos representantes desses países, de modo que a gente reconstitua o Comitê do Fundo Amazônia e, posteriormente, esses recursos sejam desbloqueados para que novos projetos possam ser apoiados por eles", informou o vice-presidente.

As atividades do fundo estão paralisadas depois que o governo destituiu os comitês que faziam a seleção dos projetos apresentados ao fundo, em abril de 2019. O governo também queria que os recursos pudessem ser usados para ações de desapropriação em áreas protegidas.

As medidas desagradaram aos dois principais financiadores, Alemanha e Noruega. O embate entre Brasil e os governos estrangeiros fez com que os dois países  suspendessem investimentos em meio ambiente no Brasil.

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