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Presidente acusou órgão de mentir sobre dados e de estar agindo a serviço de ONG; Ricardo Galvão disse que comentário causou constrangimento

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Antonio Cruz / Agência Brasil
Divulgação de dados sobre o desmatamento levou diretor do Inpe a entrar em rota de colisão com Bolsonaro

O diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ricardo Magnus Osório Galvão, afirmou, nesta sexta-feira (2), que será exonerado do cargo. O presidente Jair Bolsonaro já havia sinalizado que poderia demitir o diretor, após fazer  críticas sobre dados sobre o desmatamento divulgados pelo órgão. 

A polêmica foi iniciada no último dia 19, quando Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre dados que mostravam o aumento do desmatamento no País, e de estar "agindo a serviço de alguma ONG". Logo depois, o diretor do Inpe rebateu, dizendo que o presidente não pode falar em público "como se estivesse em uma conversa de botequim". 

"O presidente não tem noção da respeitabilidade que os dados do Inpe e que os pesquisadores do Inpe têm. É uma ofensa o que ele fez. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos", afirmou Ricardo Galvão

Nesta manhã, o diretor foi a Brasília para conversar com o ministro da Ciência e Tecnologia Marcos Pontes. Ao sair da reunião, em conversa com jornalistas, disse que será exonerado pois sua fala sobre o presidente "gerou constrangimento". Galvão afirmou ainda que indicou um nome para substituí-lo, mas não divulgou. 

Leia também: Marcos Pontes diz compartilhar "estranheza" de Bolsonaro com dados do Inpe

Ricardo Galvão tem 71 anos e trabalhava no Inpe desde 1970. Seu mandato no cargo de diretor terminaria somente no ano que vem. Ontem, Bolsonaro já havia sinalizado que poderia demitir Galvão se "quebrar confiança". O presidente ainda não comentou a exoneração.