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Reprodução/CNN
Suprema Corte da Índia deu permissão para que guardas florestais atirassem em tigresa T1, caso não a capturasse

A Suprema Corte da Índia determinou que guardas florestais matassem uma tigresa, de espécie em extinção, “por ter devorado humanos demais” no estado de Maharashtra. Acredita-se que a fêmea, conhecida como "T1", seja responsável pela morte de 13 pessoas desde janeiro de 2016 em Yavatmal.

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Informações da CNN apontaram que três pessoas foram mortas em agosto, tendo mais de 60% do corpo comido pela tigresa . A decisão tomada pelas autoridades chocou ambientalistas indianos, que estão tentando recorrer ao caso para salvar o animal.

Os conservacionistas explicaram que a população de tigres é estritamente protegida no país e que, para tomar tal decisão, é necessário aprovação das autoridades sob a Lei de Proteção à Vida Selvagem. Eles afirmaram que, apesar de a permissão ter sido dada dentro das leis, não há provas o suficientes que identifiquem essa fêmea como a responsável pelos ataques a humanos.

Na decisão de terça-feira (11), o tribunal aliou-se às autoridades locais dizendo que “os guardas florestais poderiam atirar no tigre, caso não conseguissem capturá-lo”.

Decepcionada com a decisão, a ativista ambiental Sarita Subramaniam questionou as autoridades acerca de uma captura menos violenta. “Aparentemente, eles querem mesmo matar o animal. É possível contê-lo sem machucá-lo e sem assustar a ele ou a seus dois filhotes”, ressaltou Subramaniam, que é também é fundadora  da organização não governamental  Mumbai Earth Brigade .

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"Se queriam capturar a tigresa, por que contrataram um caçador?"

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Reprodução/Shutterstock
Além da tigresa T1, os oficiais tentarão capturar um tigre macho conhecido como T2, que foi visto em Yavatmal

Além da tigresa T1, os oficiais tentarão capturar um tigre macho conhecido como T2. De acordo com as investigações, o animal foi visto em Yavatmal, e não é responsável por nenhuma morte humana na região.

"O esgotamento das terras florestais através do pastoreio de gado é o maior problema. Os tigres não estão invadindo os habitats humanos. São seres humanos que estão continuamente adentrando áreas que não deveriam. A decisão não é justa. Se a intenção era capturar a tigresa, por que as autoridades contrataram um caçador?”, disse a ativista Ajay Dubey.

Um levantamento realizado em 2014 pela National Tiger Conservation mostrou que, no início do século 20, cerca de 40 mil tigres vagavam livremente por territórios indianos. Porém, de acordo com o documento, houve uma redução assustadora nessa quantidade, restando apenas dois mil tigres no país.

A fim de preservar a vida dos animais restantes, Subramaniam e outros ambientalistas propuseram a execução de uma análise completa do DNA para identificar as espécies envolvidas no ataque. 

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"Depois das investigações, as autoridades disseram que a culpada pelos ataques era a tigresa T1, devido ao tamanho dos ferimentos deixados nas vítimas. Mas parecem se esquecer de que javalis selvagens e hienas também atacam humanos. É escasso demais se basear apenas na presença do tigre na área em que ocorreram as mortes. Não se trata de um animal, e sim da espécie”, concluiu. As ativistas recorrerão ao governo de Maharashtra para que a decisão seja reavaliada.  

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