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Centro de Pesquisa de Baleias informou que a fêmea estava nadando com a carcaça do filhote apoiada em sua face e chorava durante percusso; leia mais

Baleia orca foi vista carregando carcaça de filhote nos Estados Unidos; pesquisadores estão monitorando animal
Reprodução/Centro de Pesquisa de Baleias
Baleia orca foi vista carregando carcaça de filhote nos Estados Unidos; pesquisadores estão monitorando animal

Uma baleia orca, cujo filhote morreu na terça-feira passada (24), foi flagrada carregando o corpo do seu bebê na costa oeste dos Estados Unidos. De acordo com informações do Daily Mail , o animal continua a nadar carregando o cadáver do recém-nascido, e atualmente está em Victoria, no Canadá.

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Segundo o jornal, as orcas transportam seus filhotes mortos por um período de uma semana e, depois, seguem nadando sozinhas. Entretanto, a baleia orca identificada nos EUA tem chamado a atenção de biólogos por permanecer junto ao filhote e estar se afastando do grupo dos animais pertencentes à família dos golfinhos.

Pesquisadores do Centro de Pesquisas de Baleias informaram  ao Seattle Times que acompanham a trajetória da baleia. Eles comentam que a carcaça do filhote  constantemente afunda e é repetidamente resgatada pela fêmea, sendo trazida à superfície.

O grupo afirma que segue trabalhando pela preservação das orcas residentes do sul, já que, hoje, há somente 75 animais da espécie na região.

Os especialistas ressaltaram que a baleia batizada por eles de “J35” deu à luz no dia 24 e, desde a morte do bebê, foi monitorada apoiando o cadáver em seu focinho, indo em direção à ilha San Juan, perto do estado de Washington, nos Estados Unidos.

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Um morador da ilha disse à imprensa norte-americana que, no período, avistou o grupo de cinco ou seis orcas com o filhote morto. "Eles se reuniram em um círculo fechado, próximo da superfície em um movimento circular muito harmonioso por mais de duas horas", relatou.

O cientista sênior do centro de pesquisas, Ken Balcomb, explicou que as baleias da espécie estão morrendo constantemente devido à má alimentação, já que são dependentes do consumo de salmão-rei, que influencia diretamente nos picos de gordura que necessitam para nadar durante um período longo de tempo. 

Estudos ainda indicaram que apenas um terço das orcas nascidas nos últimos 20 anos sobrevive. Segundo a equipe, nenhuma gravidez nos últimos três anos gerou um filhote que tenha sobrevivido.

Em relação ao comportamento "de apego" das orcas, os cientistas citam um estudo realizado pelo Oceancare , que retrata que, assim como seres humanos, baleias e golfinhos têm dificuldade em perder entes queridos, desenvolvendo problemas em superar perdas e ‘seguir a vida’.

"Baleias e golfinhos, entre outras espécies de cetáceos, são conhecidas há muito tempo por continuarem cuidando umas das outras mesmo depois da morte. Ainda não sabemos se os mamíferos aquáticos realmente reconhecem o que é a morte, mas acreditamos que a ação seja relacionada ao apego emocional ”, apontaram os biólogos envolvidos na pesquisa.

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A diretora da organização sem fins lucrativos Wild Orca, Deborah Giles, afirma que, durante o monitoramento da baleia orca , a equipe pode registrar a fêmea chorando enquanto nadava com o filhote apoiado em sua face.  “Esse animal é extremamente sensível. Essa orca em específico tem se mostrado muito apegada ao bebê e não quer deixá-lo para trás. Esperamos que ela se recupere”, concluiu.

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