NASA encontra "estrela de buraco negro" com supertelescópio; veja

Objeto espacial batizado de MoM-BH*-1 reúne um buraco negro de 100 mil massas solares dentro de um casulo de hidrogênio do tamanho do Sistema Solar

Supertelescópio James Webb, da NASA, foi usado na nova descoberta: a 'estrela de buraco negro'
Foto: Divulgação/Massachusetts Institute of Technology (MIT) - Jose Luis Olivares
Supertelescópio James Webb, da NASA, foi usado na nova descoberta: a 'estrela de buraco negro'

Astrônomos do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e de outras instituições identificaram, através de imagens do telescópio James Webb, da  NASA, um objeto espacial que pode ser de um tipo nunca observado antes. Batizado de MoM-BH*-1, o corpo cintilante ganhou o apelido de "estrela de buraco negro" e foi descrito em artigo publicado na revista Nature na última quarta-feira (12).

O objeto é visto como era cerca de 660 milhões de anos depois do Big Bang, habitando a distante constelação de Cetus. Nas fotos do supertelescópio espacial,  a "estrela de buraco negro" aparece como um ponto pequeno, extremamente vermelho e brilhante.

Supertelescópio James Webb, da NASA, foi usado na nova descoberta: a 'estrela de buraco negro'
Foto: Divulgação/NASA, ESA, CSA, STScI, DAWN JWST Archive
Supertelescópio James Webb, da NASA, foi usado na nova descoberta: a 'estrela de buraco negro'


A análise da luz revelou duas anomalias,  já que abaixo de determinado comprimento de onda, o brilho despenca mais de 20 vezes. Tal efeito é conhecido como quebra de Balmer. Além disso, a luz não traz praticamente nenhum sinal de metais, apenas hidrogênio e hélio.

A quebra que observamos neste objeto é a mais profunda que já observamos em qualquer objeto, o que descarta estrelas comuns como fonte. Mas isso nos fez pensar se estávamos vendo um novo tipo de atmosfera estelar, só que em escala espetacular.
Rohan Naidu, autor principal, bolsista Hubble da NASA e pesquisador no Instituto Kavli do MIT (ao The Guardian)






Foto: Divulgação/Massachusetts Institute of Technology (MIT) - Jose Luis Olivares
Supertelescópio James Webb, da NASA, foi usado na nova descoberta: a 'estrela de buraco negro'


Na grande maioria das vezes, objetos espaciais distantes costumam parecer avermelhados porque a poeira bloqueia a luz azul com mais facilidade. Apesar disso, as simulações da equipe apontaram outra explicação, visto que a  MoM-BH*-1 comporta uma camada de hidrogênio  tão densa que se comporta como a superfície de uma estrela gigantesca.

Ademais, o corpo celeste  emite 100 bilhões de vezes mais energia do que qualquer estrela conhecida consegue produzir por fusão nuclear, rendendo o apelido de "estrela de buraco negro".

Você tem algo que se parece um pouco com uma estrela, mas é 100 bilhões de vezes mais brilhante. Isso significa que não pode ser alimentado pela fusão nuclear, que é a fonte de energia no coração de todas as estrelas que conhecemos. Era realmente singular em tantos aspectos.
Rohan Naidu, autor principal, bolsista Hubble da NASA e pesquisador no Instituto Kavli do MIT (ao The Guardian)



Os pesquisadores então incluíram, por meio de simulações, um buraco negro  em acreção. O modelo mais próximo das medições do supertelescópio James Webb trouxe um buraco negro central com massa equivalente a 100 mil sóis, envolto por um casulo de hidrogênio do tamanho aproximado do Sistema Solar.

Encontramos um novo tipo de objeto astrofísico, uma estrela de buraco negro. Nossa imagem desse objeto está evoluindo muito rapidamente. Achamos que existe um buraco negro central 100 mil vezes mais massivo que o Sol. E, em torno desse buraco negro, haveria esse envoltório muito extenso de gás que se parece com uma estrela do tamanho do Sistema Solar. É enorme.
Rohan Naidu, autor principal, bolsista Hubble da NASA e pesquisador no Instituto Kavli do MIT (ao The Guardian)




O resultado pode ajudar a esclarecer o enigma dos pequenos pontos vermelhos, objetos compactos que surgem em quase toda imagem profunda do supertelescópio  e somem no Universo atual. Caso sejam buracos negros vistos através de gás denso, as massas atribuídas podem estar superestimadas.

Esses pequenos pontos vermelhos parecem estar por toda parte no Universo primitivo, mas essencialmente desaparecem nos dias de hoje. O que exatamente são esses objetos tem sido um dos temas mais debatidos da era do James Webb. Existe esse quebra-cabeça de muitas galáxias brilhantes aparecendo em épocas extremamente antigas. O que descobrimos foi que aquilo que parece uma galáxia primitiva extremamente brilhante, ou seja, um milagre, em alguns casos pode na verdade ser uma miragem
Rohan Naidu, autor principal, bolsista Hubble da NASA e pesquisador no Instituto Kavli do MIT (ao The Guardian)



Apesar dos possíveis avanços, os autores do estudo ressaltaram que o modelo é uma interpretação das observações e que a formação desses objetos continua em aberto.