Restos mortais de pelo menos dez homens do século nove foram encontrados durante escavação
Cambridge Archaeological Unit/David Matzliach
Restos mortais de pelo menos dez homens do século nove foram encontrados durante escavação

Um "gigante" que viveu há mais de mil anos está entre os corpos encontrados em um túmulo viking encontrado por estudantes de arqueologia da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Além dele, foram encontrados restos mortais de pelo menos nove outros jovens homens no Parque Wandlebury, a cerca de cinco quilômetros da cidade de Cambridge.

Os pesquisadores acreditam que as  sepulturas do século nove podem estar ligadas aos conflitos entre saxões e vikings que aconteceram na região há mais de mil anos.

Túmulo pode estar relacionado aos conflitos entre saxões e vikings há mais de mil anos
Cambridge Archaeological Unit/David Matzliach
Túmulo pode estar relacionado aos conflitos entre saxões e vikings há mais de mil anos


O Parque Wandlebury já era conhecido por guardar  rastros de povos que viveram nessa região durante a Idade do Ferro, mas os estudantes não esperavam encontrar uma cova com restos humanos.

A estudante Olivia Courtney contou que a descoberta surpreendeu toda a equipe.

“Nunca tinha encontrado restos humanos em uma escavação. Fiquei impressionada com o quanto essas pessoas pareciam próximas e, ao mesmo tempo, distantes. Tínhamos praticamente a mesma idade, mas éramos separados por mais de mil anos.”Olivia Courtney, estudante de arqueologia da Universidade de Cambridge



"Gigante" tinha buraco no crânio

Entre os corpos encontrados na escavação feita em 2025, um jovem com idade estimada entre 17 e 24 anos despertou o interesse dos pesquisadores. Ele foi enterrado de bruços e tinha cerca de 1,96 metro de altura, muito maior que a média da época para os homens, que era de aproximadamente 1,68 metro.

Crânio apresentava sinais de uma antiga cirurgia
Cambridge Archaeological Unit/David Matzliach
Crânio apresentava sinais de uma antiga cirurgia


O crânio do esqueleto ainda tinha um buraco de três centímetros na parte de trás. Os sinais de recuperação mostram que ele sobreviveu a um procedimento conhecido como trepanação, uma técnica antiga em que era feito um buraco no crânio para tentar aliviar problemas como fortes dores de cabeça e convulsões.

Segundo a Dra. Trish Biers, responsável pelas Coleções Duckworth da universidade, o homem pode ter sofrido de uma condição que causava crescimento acima do normal.

“O indivíduo pode ter tido um tumor que afetou a glândula pituitária e provocou produção excessiva de hormônios do crescimento. Isso pode ser observado em características incomuns dos ossos dos braços, pernas e de outras partes do esqueleto.”Dra. Trish Biers, pesquisadora da Universidade de Cambridge


Biers explicou que essa condição também poderia aumentar a pressão dentro da cabeça.

Homens podem ter sido executados

Os arqueólogos encontraram uma mistura de esqueletos completos e partes de corpos separadas que descreveram como incomum. Além disso, algumas posições indicam que as pessoas podem ter sido amarradas antes de morrer.

A escavação pode mostrar indícios de execuções e punições aplicadas durante o século nove nessa região
Cambridge Archaeological Unit/David Matzliach
A escavação pode mostrar indícios de execuções e punições aplicadas durante o século nove nessa região


Um dos homens tinha sinais de decapitação, com marcas de golpe na mandíbula. Mesmo assim, os pesquisadores afirmam que ainda não existem provas suficientes para concluir que todos morreram em combate.

Para o Dr. Oscar Aldred, a vala pode estar relacionada a punições aplicadas naquele período, ou algumas partes dos corpos terem sido exibidas antes do enterro.


Conflitos entre saxões e vikings

No final do século oito, a região de Cambridgeshire, onde encontraram os restos, ficava na fronteira entre dois reinos saxões. Por volta do ano 874, parte do chamado  Grande Exército Viking montou acampamento perto de Cambridge e saqueou a cidade. Depois, a região passou a fazer parte de um reino controlado pelos vikings.

Datações por carbono-14 indicam que os corpos são do século nove, mas ainda não foram encontrados objetos que permitam definir uma data mais exata.

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