O ixalerpeton polesinensis viveu há cerca de 230 milhões de anos e foi encontrado no Brasil.
Reprodução/Nature
O ixalerpeton polesinensis viveu há cerca de 230 milhões de anos e foi encontrado no Brasil.

Um animal pré-histórico descoberto no estado do Rio Grande do Sul estampou a capa da Nature, uma das maiores revistas científicas do mundo, em dezembro. O fóssil foi encontrado há dez anos na cidade de São João do Polêsine. As informações foram dadas pelo G1 .

O ixalerpeton polesinensis viveu há cerca de 230 milhões de anos e seria o antepassado do pterossauro, uma espécie de dinossauro que voava.

A descoberta do fóssil corresponde à primeira vez que um lagerpetídeo, um tipo raro de animal pré-histórico, foi achado no Brasil .

O professor e paleontólogo Sérgio Cabreira, da Associação Sul Brasileira de Paleontologia, é um dos responsáveis pelo feito e, junto com especialistas de diversos países, assina o artigo da revista Nature .

"Uma das coisas mais difíceis da paleontologia é nós encontrarmos os fósseis que deram origem aos grandes grupos de animais. Por exemplo, o ancestral dos mamíferos, das aves, dos dinossauros ", destaca Cabreira.

De acordo com ele, o ixalerpeton encontrado tem aproximadamente o tamanho de um quero-quero e estava na mesma rocha onde  fósseis de buriolestes schutlzi , um dos precursores dos dinossauros, foram localizados.

O paleontólogo também disse que, apesar de desarticulado, o fóssil do ixalerpeton estava completo. "Partes do crânio, as mandíbulas, esqueleto da coluna, dos membros, muitas peças foram encontradas. Isso trouxe novas informações", afirmou.

Através de estudos, descobriu-se que o lagerpetídeo não voava, mas possuía um labirinto ósseo bem desenvolvido.

Cabreira explica que o animal pré-histórico tinha "um sistema de equilíbrio extremamente complexo, parecido com o sistema de equilíbrio dos pterossauros , que eram animais voadores, e muito parecido com o labirinto das aves".

Além disso, observou-se que o lagerpetídio tinha um metabolismo acelerado, característica fundamental para o voo.

“Essas pré-adaptações são necessárias. Não tem como o animal se lançar ao espaço pra voar sem que previamente ele tenha adquirido condições", diz o professor.

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