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Sites que cobram taxas não têm autorização para nomear corpos celestes; União Astronômica Internacional é a única instituição com este poder

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NASA/ESA/P. van Dokkum (Yale)
Há cerca de 100 bilhões de estrelas na parte visível do universo

É impossível saber quantas estrelas existem no universo, mas pesquisadores estimam que há cerca de 100 bilhões apenas na parte visível do cosmo. Frente a uma quantidade tão grande de corpos celestes, era de se pensar que nomear todos cientificamente seria impossível e, portanto, uma ajudinha leiga não cairia mal. No entanto, dar nome a uma estrela não é algo que possa ser feito arbitrariamente e sites que vendem o serviço não estão autorizados a fazê-lo.

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Basta uma pesquisa rápida no Google para descobrir como dar seu nome a uma estrela . Mediante o pagamento de uma taxa que varia entre R$ 100 e R$ 600, você pode registrar uma estrela como quiser. O gesto é frequente em filmes românticos, mas o certificado de nada vale. A União Astronômica Internacional garante: não é possível escolher oficialmente um nome para uma estrela.

A União Astronômica Internacional (IAU, na sigla em inglês) foi criada em 1919 com o objetivo de promover e garantir a astronomia . Com mais de 12 mil membros e representantes de 90 países diferentes, a IAU é a única instituição autorizada a dar nome para as estrelas e outros corpos celestes. 

Em seu site, a IAU explica que o trabalho de nomeação é feito por meio de grupos de trabalho e envolve uma rígida metodologia. De acordo com a instituição, algumas estrelas mais brilhantes possuem nomes próprios, em geral originários do árabe, grego ou latim. No entanto, a grande maioria dos astros possuem designações alfanuméricas (HR 7001, por exemplo).

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Segundo a IAU, tal designação é importante para facilitar a localização e catalogação. “Os nomes são adequados para pequenos grupos de objetos conhecidos, como planetas ou estrelas visíveis a olho nu, mas simplesmente não são viáveis para catálogos de milhões de estrelas”, justifica a entidade.

Um grupo de trabalho da União Astronômica Internacional está buscando investigar quais estrelas têm nomes próprios atribuídos popularmente em diferentes culturas. Depois do período de investigação, tais nomes podem ser incorporados oficialmente, o que vai ajudar a preservar a herança astronômica.

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Sobre a compra e venda de nomes de corpos celestes, a IAU alerta que como o serviço não é oficial, não é possível saber sequer se a estrela batizada é realmente única. Ao mesmo tempo em que é possível que sua estrela tenha realmente sido nomeada apenas por você, uma vez que a disponibilidade é enorme, nada pode garantir que outro portal não a tenha vendido para outra pessoa. “Como o amor verdadeiro e muitas outras das melhores coisas da vida, a beleza do céu noturno não está à venda, mas é gratuita para todos aproveitarem”, diz a IAU.