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Pesquisadores colocaram os genes os animais para que se tornem "mais como as pessoas"; estudo está sendo criticado por especialistas da área

Humacaco
Divulgação
Experimento chinês causou controvérsia ao implementar genes humanos em macacos

Um experimento conduzido pelo Instituto Chinês de Neurociência está causando polêmica na comunidade científica internacional. Os pesquisadores implementaram genes humanos no cérebro de macacos para observarem a desenvolvimento dos animais. De acordo com a própria pesquisa, o objetivo é tornar os primatas "mais como as pessoas".

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O gene humano implementado nos macacos foi o MCPH1, que é um dosresponsáveis pelo desenvolvimento neuronal e pelo crescimento da cérebro. É uma mutação nesse gene, por exemplo, que causa a microcefalia.

Dos 11 símeos escolhidos para o experimento , apenas seis sobreviveram e só cinco viveram até a publicação do estudo, no final de março deste ano. "O tamanho do cérebro e o desenvolvimento de habilidades cognitivas são as mudanças mais acentuadas dos seres humanos durante a evolução. Neste estudo, nós conseguimos implementar o gene MCPH1 em 11 primatas da espécie  Macaca mulatta ", diz o estudo.

Ainda de acordo com o documento, os pesquisadores conseguiram observar desenvolvimento anormal no tecido cerebral dos animais. "Mais importante, os macacos transgênicos exibiram melhora na memória de curto prazo e no tempo de reação quando comparados com espécies encontradas na natureza. Esses dados são a primeira tentativa de entender a base genética dos seres humanos utilizando modelos de macacos transgênicos e a necessidade de utilizar primatas não-humanos para entender os traços únicos das pessoas", finaliza o time de pesquisadores.

Apesar do sucesso no experimento, o estudo não foi bem aceito por boa parte da comunidade científica. O Dr. Martyn Styner, professor da Universidade da Carolina do Norte, que é inclusive citado no estudo chinês como um dos coautores, disse que se distânciou do projeto por conta do debate ético em volta da pesquisa.

"Eu desenvolvi o software para este e outros estudos que envolvem exames de ressonância magnética detalhados", explica o cientista, em entrevista ao canal de televisão norte-americano NBC . "Talvez eu nem devesse ter entrado nos créditos como coautor", se defende.

"A questão não é animais transgênicos , mas o fato de você colocar genes humanos em macacos apenas para torná-los mais como as pessoas", argumenta Styner. "Existem pesquisas eticamente aceitáveis com o uso de animais transgênicos como, por exemplo, criar um potencial doador de órgãos para uma pessoa", diz. "Na minha opinião, nós temos pouco a aprender com um experimento desses e ele não deveria ter sido conduzido", finaliza.

Os chineses, no entanto, seguem defendendo a pesquisa. De acordo com os pesquisadores, macacos clonados e alterados geneticamente não só tornarão as pesquisas mais rápidas e mais confiáveis como também irão diminuir o uso de animais em estudos ao redor do mundo. "Sem a interferência genética, um número muito menos de animais será utilizado nas pesquisas", explica Dr. Poo Mu-ming, supervisor do estudo.