Tamanho do texto

Nova espécie não possuía um casco, tinha 1,80 metro de comprimento e foi a primeira em toda a linha evolutiva das tartarugas a ter um bico sem dentes

A nova espécie de tartaruga pode ajudar especialistas a desvendar os mistérios da evolução da classe
Reprodução/CNN
A nova espécie de tartaruga pode ajudar especialistas a desvendar os mistérios da evolução da classe

Pesquisadores na província de Guizhou, na China, encontraram um fóssil de 228 milhões de anos de uma tartaruga um tanto quanto diferente. Ela não possuía casco, mas foi a primeira espécie na evolução a ter um bico sem dentes.

Leia também: Fóssil de leão gigante que viveu há 200 mil anos é encontrado no Quênia

De acordo com a CNN , a descoberta da  tartaruga  anciente foi anunciada em estudo publicado na revista Nature nesta quarta-feira (22). A nova espécie foi batizada de Eorhynchochelys sinesis e contém características muito específicas, como a presença de costelas que, curiosamente, não contribuíram para a formação de um casco nos animais da atualidade.

“A criatura tinha mais de 1,80 metro, um corpo com o estranho formato de um disco e uma longa cauda. Além disso, a parte anterior de suas mandíbulas evoluíram para um bico incomum”, explicou Olivier Rieppel, co-autor da pesquisa e paleontólogo do Museu Field de História Natural de Chicago, nos Estados Unidos. “Ela provavelmente vivia em águas rasas e procurava seu alimento na lama”.

A descoberta foi comemorada por muitos membros da comunidade científica, já que todo o processo evolutivo das tartarugas ainda é um grande quebra-cabeças a ser montado pelos especialistas.

Leia também: Pesquisadores descobrem raro fóssil de filhote de pássaro de 127 milhões de anos

As dificuldades para desvendar a evolução da tartaruga

A evolução da tartaruga ainda é um quebra-cabeças a ser desvendado por cientistas, que se animaram com a descoberta
BBC
A evolução da tartaruga ainda é um quebra-cabeças a ser desvendado por cientistas, que se animaram com a descoberta

Segundo a CNN , o maior empecilho para compreender a 'linha do tempo' desta ordem de animais é a peculiaridade de seu processo evolutivo . Ela não pode ser comparada com a de outros seres, e cada detalhe precisa ser analisado com muito cuidado.

“Esse grande e impressionante fóssil é um achado muito animador, que nos dá outra peça no quebra-cabeças da evolução das tartarugas”, disse Nick Fraser, que também participou do estudo. “Ele mostra que sua evolução não foi linear, com uma acumulação contínua de características específicas, mas uma série de eventos muito mais complexa que só estamos começando a desvendar”.

Leia também: Fóssil de aranha com cauda de escorpião é encontrado após 100 milhões de anos

A espécie chamada Pappochelys , por exemplo, habitou a Terra há 240 milhões de anos e já possuía uma estrutura óssea sobre seu abdômen, como um “proto-casco”, o que exemplifica essa falta de linearidade. Isso também aconteceu com o bico, que apareceu primeiro na Eorhynchochelys sinesis para, muitos anos depois, surgir junto de um casco em uma outra tartaruga .

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.