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Décadas após o acidente nuclear de Chernobyl, as consequências do desastre ambiental ainda ameaçam a saúde dos moradores de alguns países

Os javalis, encontrados em uma área atingida pelo desastre nuclear de Chernobyl, possuíam altos níveis de radiação
Creative Commons/Pixabay
Os javalis, encontrados em uma área atingida pelo desastre nuclear de Chernobyl, possuíam altos níveis de radiação


Um javali selvagem, encontrado na região central da Suécia, foi abatido após serem detectados níveis de radiação dez vezes acima do limite de segurança em seu corpo. Este, porém, não foi o primeiro animal da espécie a apresentar o problema. Em meados de agosto, outro javali foi identificado com os índices radioativos quase nove vezes acima do limite estabelecido pelo governo. 

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Além do javali, outros animais – como renas e veados – também foram afetados pela radiação , um problema que pode ser explicado, de acordo com o  The Independent, pela explosão do reator nuclear de Chernobyl. Em 1986, o desastre foi o responsável por enviar uma “nuvem tóxica” de iodo radioativo e césio-137 para a Suécia, cujas consequências ambientais podem ser sentidas até hoje e ameçam a saúde humana.

Isso porque os animais raramente sofrem com os níveis radioativos, já que sua expectativa de vida é baixa. Entretanto, o problema costuma ser sentido pelas pessoas que consomem sua carne, pois a ingestão do alimento afetado aumenta os riscos do desenvolvimento de câncer.

Traços radioativos na atmosfera europeia

Além do caso com os javalis, autoridades da Alemanha divulgaram na última quinta-feira (5) que partículas de radiação foram detectadas na Europa central e ocidental. Segundo o Daily Mail , os níveis do isótopo Rutênio-106 encontrados estão 17 mil vezes abaixo do limite estabelecido e não representam uma ameaça à saúde dos moradores. Entretanto, ainda é preciso localizar a origem do vazamento e as suas causas.

De acordo com o Departamento Federal de Proteção Radioativa do país (FORP), as partículas de radiação puderam ser identificadas na Alemanha, Áustria, Suíça, França e Itália desde a última sexta-feira (29), e até agora, análises indicam que o isótopo – a variante de um elemento químico com diferente número de nêutros – deve ter sido liberado na região leste europeu, a mais de mil quilômetros da Alemanha.

Muito utilizado como fonte de energia e no tratamento de tumores, a variação do elemento não costuma ser usada em geradores de energia nuclear. Esta informação, junto da ausência de outras partículas radioativas na atmosfera, descarta a possibilidade de um acidente nuclear, segundo nota do FORP.

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Apesar de sua radiação, o rutênio-106 é um dos isótopos mais estáveis e menos perigosos do rutênio.

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