Falta um mês: como será o fim do inverno no Brasil

Previsão indica calor acima da média e pouca chuva na maioria do país, enquanto o Sul deve ter período mais úmido até 22 de setembro

Brasil tem previsão de calor e pouca chuva no último mês de inverno
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Brasil tem previsão de calor e pouca chuva no último mês de inverno


Falta exatamente um mês para o fim do inverno, em 22 de setembro, e a previsão indica um período de calor acima da média  e pouca chuva em praticamente todo o Brasil, segundo o Inmet. Já o Sul deve registrar volumes de precipitação acima do normal.

Esse cenário está ligado à influência do El Niño , fenômeno climático confirmado em junho e com previsão de continuar pelo menos até o início de 2027 . Para o final de agosto e até o fim da estação, em setembro, os modelos apontam um padrão típico do fenômeno, com maior chance de chuva abaixo da média no centro-norte do país e de chuva acima do normal no Sul.

Na prática, o último mês do inverno deve manter uma divisão clara no mapa. O Sul tende a terminar a estação mais úmido, enquanto boa parte do centro-norte deve enfrentar calor, pouca chuva e ar mais seco.

Gráfico mostra como costumam ser as chuvas (a) e as temperaturas (b) no Brasil durante o inverno
Foto: Reprodução/INMET
Gráfico mostra como costumam ser as chuvas (a) e as temperaturas (b) no Brasil durante o inverno


Como será o último mês do inverno

A região Norte deve ter menos chuva e temperaturas mais altas até o final do inverno. Em algumas áreas, o calor pode ficar até 3°C acima da média. A combinação de calor e tempo seco também aumenta o risco de incêndios .

No Nordeste, a tendência é parecida, com pouca chuva e temperaturas até 2°C maiores que o normal em algumas áreas. A falta de água deve continuar, principalmente no interior.

No Centro-Oeste, o calor e a falta de chuva também devem acontecer até o fim do inverno. As temperaturas podem ficar até 2°C acima da média.

No Sudeste, a maior parte da região deve receber menos chuva que o normal, com exceção do sul de São Paulo. As temperaturas podem ficar entre 1°C e 2°C acima da média em partes de São Paulo e Minas Gerais.

A região Sul deve concentrar as maiores chuvas até o fim do inverno. Os maiores volumes são esperados em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Apesar da chuva, as temperaturas também devem ficar acima da média.


Como foi o inverno até agora

Desde o início do inverno, o Brasil passou por períodos de frio intenso, ondas de calor, tempo seco e uma sequência de temporais e ciclones que provocaram danos principalmente no Sul e no Sudeste.

No começo do inverno, massas de ar polar derrubaram as temperaturas e provocaram frio intenso e geadas no Sul. Ciclones no Oceano Atlântico também ajudaram a levar o ar frio para outras áreas do país.

A partir de julho, o tempo passou a alternar períodos de frio e calor intenso. Uma massa de ar quente  aumentou as temperaturas, principalmente no Sul e no Centro-Oeste durante o mês. Em agosto, duas cidades de Goiás chegaram a passar dos 41°C, enquanto Goiânia registrou 38,3°C , recorde para o mês na estação do Instituto Nacional de Meteorologia.

Em partes do Centro-Oeste, a umidade do ar chegou a ficar entre 20% e 12% , aumentando o risco de incêndios . Em São Paulo, a Defesa Civil decretou emergência para incêndios em algumas regiões. No Rio de Janeiro, os bombeiros registraram  mais de mil chamados de incêndios em vegetação só na primeira semana de agosto.

Já o Sul enfrentou uma sequência de temporais. O Rio Grande do Sul teve fortes chuvas, alagamentos, granizo e ventos intensos em julho e agosto. Em julho, mais de mil pessoas ficaram fora de casa após uma sequência de temporais.

Entre os episódios mais extremos, um tornado em Pedro Osório (RS) chegou a ser classificado como F2, com ventos de até 200 km/h . O fenômeno destruiu casas, galpões, árvores e outras estruturas, mas não deixou feridos.

No fim de julho, uma frente fria provocou fortes vendavais em São Paulo e também no Rio de Janeiro. Houve mortes, quedas de árvores, danos em imóveis e interrupções no transporte. No Rio, cerca de um milhão de pessoas ficaram sem energia , e o temporal também causou problemas no abastecimento de água em vários bairros.

Em Santa Catarina, agosto foi marcado por chuvas fortes, granizo e deslizamentos que fizeram famílias deixarem suas casas . No Rio Grande do Sul, novos episódios de chuva atingiram o estado com a atuação de um ciclone extratropical  nesta quinta-feira (20), desalojando 214 pessoas.