Um tornado pode ter sido responsável pelos estragos registrados na manhã desta quarta-feira (3) em uma área rural de Santa Vitória do Palmar, no extremo Sul do Rio Grande do Sul. O episódio atingiu a localidade de Canelões, nas proximidades da BR-471, por volta das 10h15.
O ocorrido foi extremamente localizado e de curta duração, mas deixou um rastro evidente de destruição que sugere a probabilidade de ocorrência de um tornado na área.
Algumas torres de energia de transmissão, projetadas para suportar ventos de alta intensidade, não resistiram aos ventos fortes e foram derrubadas.
A força do vento também provocou a queda de estruturas da rede elétrica da Eletrobras e mantidas pela CEEE Equatorial . O fenômeno também afetou a vegetação local, deixando troncos de árvores decepados.
De acordo com a MetSul Meteorologia, a Eletrobras CGT Eletrosul emitiu nota explicando as quedas das torres de energia em Santa Vitória do Palmar.
No comunicado, a empresa informou que, devido ao forte temporal registrado às 10h15 desta quarta-feira (03) no extremo Sul do Rio Grande do Sul, houve o desligamento da Subestação Santa Vitória do Palmar 2, após a interrupção simultânea de dois circuitos da linha de transmissão de 525 kV Marmeleiro 2 – Santa Vitória do Palmar 2. Sendo um dos circuitos pertencente à Eletrobras CGT Eletrosul e o outro à Chimarrão Transmissora.
Ainda segundo a nota da empresa, às 10h28, a subestação foi reenergizada, ficando a cargo da distribuidora restabelecer o fornecimento de energia aos consumidores das cidades de Santa Vitória do Palmar, Chuí e áreas rurais próximas. E afirmou que, apenas o circuito 1 da linha 525 kV permanece desligado, sem prejuízo aos usuários.
A Eletrobras finalizou dizendo que cerca de 80 profissionais foram mobilizados para recompor as torres danificadas pelos ventos fortes que atingiram a região.
Condições Atmosféricas
Segundo o Metsul as condições meteorológicas eram propícias para a ocorrência de ventos intensos e localizados, com a presença de uma corrente de jato em baixos níveis, associada a temperaturas elevadas e à atuação de uma frente quente no Sul gaúcho.
Essa corrente, que funciona como um corredor de ventos a cerca de 1.500 metros de altitude, tem origem na Bolívia e se estende até o Sul do Brasil, transportando ar seco e quente, um fator presente na maioria dos episódios de tornados na região.
Esse padrão atmosférico gera cisalhamento, um padrão de ventos específico para a formação de tornados. O avanço do ar quente impulsionado por essa corrente ajudou a organizar uma frente quente, responsável por provocar chuva, descargas elétricas e granizo isolado em diferentes pontos do Rio Grande do Sul.
Agora, o sistema começa a se transformar em uma frente fria que deve avançar de Sul para Norte nesta quinta-feira (4), trazendo risco de tempo severo.
O que é um tornado?
Tornados são fenômenos meteorológicos extremamente destrutivos , formados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de nuvens para o solo, capazes de causar devastação em poucos minutos. A intensidade é medida pela Escala Fujita, que vai de F0 a F5, sendo F5 a mais intensa.
Eles se desenvolvem quando massas de ar quente e úmido encontram ar frio e seco, condição que favorece sua formação. Embora ocorram em várias partes do mundo, os Estados Unidos registram cerca de 1.200 casos por ano. Fora do país, grandes concentrações acontecem na América do Sul e em Bangladesh.
No Brasil, não há um banco de dados consolidado sobre tornados, os registros ainda são escassos e os projetos de monitoramento dos eventos ainda estão em fase de desenvolvimento.