O último morador da Favela do Moinho, o porteiro Manuel Severino Silva Santos, de 53 anos, acompanha o processo de demolição de sua antiga casa
Divulgação/CDHU
O último morador da Favela do Moinho, o porteiro Manuel Severino Silva Santos, de 53 anos, acompanha o processo de demolição de sua antiga casa

A última residência da Favela do Moinho, que pertencia ao porteiro Manuel Severino Silva dos Santos, de 53 anos, foi demolida por agentes da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) nesta terça-feira (15), na região central da capital paulista.

Santos, que vivia na comunidade há 20 anos, agora vai morar em um condomínio próximo ao terreno e aguarda a entrega da escritura, de acordo com matéria divulgada pela Folha de S.Paulo.

Agora, ele se junta às mais de 850 famílias cadastradas no plano de reassentamento iniciado em abril de 2025. Desse total, 645 famílias já estão morando em imóveis definitivos. Para Marcelo Branco, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a operação trouxe dignidade às famílias.

"Era a última grande favela do centro da cidade de São Paulo, onde as pessoas viviam em uma condição de extrema precariedade", destaca. "A gente teve a oportunidade de levar essas famílias, cada uma delas, para uma unidade habitacional adequada e fazer com que retomassem suas vidas de uma forma digna e estruturada", afirma.

Famílias conseguiram imóveis gratuitamente

Neste processo de reassentamento, a parceria entre a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ofertou uma carta de crédito de R$ 250 mil para que as famílias conseguissem, gratuitamente, diversas opções de moradia oferecidas pelo órgão ou por escolha própria, dentro ou fora do estado.

As famílias que optaram por imóveis em construção receberam um cheque caução de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves. Ao todo, de acordo com o órgão, 957 mudanças foram efetivadas, incluindo comércios e serviços. A Prefeitura também indenizou 72 comerciantes.

No caso de Santos, a carta de crédito não havia sido aprovada inicialmente porque sua renda ultrapassava o limite de R$ 4.700 estabelecido pelo programa. Além do salário de R$ 2.480, somavam-se o adicional noturno, as horas extras e o auxílio-alimentação.

Contudo, após seu caso ganhar repercussão no noticiário, uma nova análise foi realizada e a carta de crédito foi aprovada.

Terreno dará lugar a um novo parque e estação de trem

Na área anteriormente ocupada pela comunidade, será implantado o Parque do Moinho. Com 61,3 mil m², o projeto prevê a transformação do espaço em um local aberto à população, ampliando a oferta de áreas verdes e de lazer na região central. “A partir de agora, nós vamos ter um parque que vai ser utilizado por toda a população de São Paulo, livre, aberto, com uma estação moderna de transporte público", destaca Branco.

Para a construção do parque, foi realizada a licitação para o cercamento do terreno. O processo está em fase final para a assinatura do contrato com a empresa vencedora. Em breve, será lançada a licitação para a contratação da empresa responsável pelo desenvolvimento do projeto e implantação do parque.

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