
A probabilidade de um El Niño com intensidade recorde neste ano subiu para 100%, de acordo com a MetSul Meteorologia, com base nos modelos climático deste mês de setembro. Segundo meteorologistas, as projeções revelam que o episódio de 2026-2027 do fenômeno no Oceano Pacífico Equatorial será “um evento histórico e excepcional”, superando as marcas registradas nas últimas décadas.
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Pelo Índice Oceânico do Niño (ONI), que é um índice usado para medir a anomalia da temperatura da superfície do mar em uma região específica do Pacífico equatorial, chamada Niño 3.4., todos os cenários analisados projetam um evento acima do recorde.
Já pelo Índice Oceânico Relativo do Niño (RONI), que também mede a intensidade do El Niño, mas que calcula a temperatura do oceano em relação à média de referência, essa possibilidade chega a 98%.
A íntegra dos modelos dinâmicos com projeções para o Pacífico para os próximos meses indica cenário de aquecimento excepcional e jamais observado nos tempos modernos de observação MetSul Meteorologia
Considerando o índice tradicional de monitoramento, o ONI, usado para acompanhar o El Niño e a La Niña pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, em português) a temperatura da superfície do Oceano Pacífico na região monitorada poderá ficar 4,1°C acima da média histórica no pico do El Niño, com 80% das simulações projetando uma anomalia entre +3,4°C e +4,6°C. Alguns modelos chegam a medianas de +4,6°C, com pico previsto para dezembro.
O ONI utiliza como referência uma média climatológica de 30 anos, atualizada periodicamente.
Já o gráfico do RONI apresenta uma sinalização igualmente excepcional, mas com valores menores porque o índice desconta a tendência de aquecimento do oceano.
Em vez de comparar a temperatura do Pacífico com uma média climatológica fixa, o RONI utiliza uma referência ajustada ao aquecimento observado, permitindo avaliar melhor o quanto o oceano está anormalmente quente ou frio.
Neste índice, a média indica temperatura de 3,5°C acima da média histórica, com 80% dos membros entre +2,9°C e +4,2°C.
Na avaliação dos meteorologistas da MetSul, a comparação entre os dois índices é particularmente importante. A diferença entre as medianas, de 4,1°C no ONI contra 3,5°C no RONI, mostra quanto da magnitude projetada no ONI está associada ao fato de o oceano estar mais quente no período atual.
O RONI procura retirar esse efeito da tendência de aquecimento de longo prazo e, portanto, oferece uma perspectiva diferente sobre a intensidade relativa do fenômeno, segundo os especialistas.
Na prática, o ONI tende a apresentar valores mais altos porque incorpora parte do aquecimento de longo prazo do oceano como anomalia. O RONI procura retirar esse componente de tendência.
Dentro das projeções, o fenômeno deste ano já atingiu todos os critérios para se enquadrar na categoria de Super El Niño.
Período de pico
Também chama atenção a convergência dos modelos quanto ao período do pico.
No ONI, vários dos modelos mais intensos indicam dezembro como mês de máxima intensidade do El Niño, enquanto outros apontam novembro.
No RONI, os modelos mais elevados também concentram seus picos entre novembro e dezembro, embora alguns indiquem outubro.
Um levantamento realizado MetSul, com base em dados semanais da NOAA e no cálculo pelo método ONI, mostra que o maior aquecimento semanal já registrado durante um Super El Niño ocorreu em 2015-2016.
Na semana de 18 de novembro de 2015, a temperatura da superfície do mar estava 3,0°C acima da média. O segundo maior valor ocorreu no episódio de 1982-1983, com anomalia de 2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982.
Dessa vez, dados semanais do ONI indicam que o Pacífico atingiu o patamar de +2°C de anomalia na região Niño 3.4 em 8 de julho de 2026, mais cedo do que nos principais episódios anteriores de Super El Niño.
Em 1997-1998, o nível foi alcançado em 3 de setembro; em 2015-2016, em 16 de setembro; e, em 1982-1983, apenas em 24 de novembro.