SP: operação mira grupo suspeito de roubo e revenda de celulares

Ação do Ministério Público e das polícias cumpre quase 90 mandados no estado; Investigação aponta divisão em etapas e comércio no Centro da capital

Polícia Militar de São Paulo durante a Operação Frankmobilee
Foto: Divulgação
Polícia Militar de São Paulo durante a Operação Frankmobilee

A Operação Frankmobile foi realizada na capital paulista nesta quinta-feira (10) após mais de dois anos de investigações . A ação contou com mais de 1.700 agentes e tem como objetivo principal a desarticulação do “ciclo ilícito do aparelho celular”, que consiste em um esquema de furto , roubo, receptação e venda ilegal de aparelhos celulares na cidade de São Paulo .


Para a Operação, a Justiça autorizou 84 mandados de busca e apreensão, além de sete mandados de prisão preventiva nos estados de São Paulo e Goiás . As medidas cautelares judiciais também ordenam o sequestro e bloqueio de bens ligados aos investigados, com valores que ultrapassam os R$ 5 milhões .

A ação foi conduzida após a apresentação de um pedido ao Poder Judiciário, onde os membros do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) , em conjunto da Assessoria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública, explicaram suas pesquisas realizadas nos últimos dois anos, que detalham de maneira extensa como os criminosos agem no esquema.

Como funcionava o esquema

No documento expedido pelo GAECO, é descrito que os criminosos obtêm lucro em cada etapa do esquema, em uma cadeia de atos ilícitos que começa nas ruas, através do furto ou roubo de aparelhos celulares, e se estende até o roubo de dados e revenda do aparelho e de peças, especialmente na região central da capital paulista .

A maior parte das empresas detectadas na investigação estão sediadas em São Paulo e, algumas das companhias nem possuem registros formais nos órgãos responsáveis, mas ainda apresentam uma movimentação financeira que não condiz com o seu porte.

O “ciclo ilícito do aparelho celular” se divide em quatro diferentes núcleos:

O primeiro conta com os criminosos que roubam ou furtam os aparelhos das vítimas através das ruas e avenidas da cidade, muitas vezes por meio da quebra de vidros de automóveis nos congestionamentos .

No segundo núcleo, os celulares furtados ou roubados são desbloqueados e, os criminosos responsáveis pela tarefa, também devem transferir valores de contas bancárias das vítimas para contas de terceiros e roubar os dados pessoais das vítimas.

O terceiro núcleo é o responsável pela revenda dos aparelhos. O processo envolve a alteração do IMEI (International Mobile Equipment Identity), o código de 15 dígitos que identifica cada aparelho celular ou dispositivo. Ao alterarem o número, os criminosos removem outros bloqueios técnicos para poder realizar a realocação de peças .

A partir da alteração, os celulares são revendidos sem deixar rastros do vínculo ao antigo dono ou aos registros dos crimes que antecederam sua venda, atrapalhando investigação ou bloqueios associados ao IMEI original.

Já o quarto núcleo é o responsável pelo desmanche dos telefones, para lucrar com a venda das peças separadamente, aumentando ainda mais o lucro total da atividade ilícita.


Centro de São Paulo é destaque

O documento produzido pelo GAEGO e disponibilizado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), aponta o centro de São Paulo como um ponto importante para a comercialização de aparelhos roubados e peças dos mesmos, citando ruas famosas como a histórica Santa Ifigênia, reconhecida pela própria Secretaria de Segurança Pública (SSP), como o maior foco de receptação e desbloqueio de celulares roubados e furtados do país .

Os dados apresentados também apresentam alta concentração de volume de sinais de rastreamento apontando a região central da capital como a “última localização” de aparelhos roubados ou furtados. No terceiro núcleo, onde os celulares são revendidos e sofrem alterações técnicas, os principais polos aparecem no Shopping Mundo
Oriental ( na Rua Barão de Duprat), na Rua Santa Ifigênia e na Avenida Ipiranga .


A ação contou a participação da Polícia Civil, Militar e Penal, além do Ministério Público de São Paulo (MPSP), da Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Secretaria de Estado da Fazenda. Nos endereços tidos como receptadores de celulares roubados e furtados, o cumprimento dos mandados teve o apoio do canil da Polícia Penal do Estado de São Paulo, com animais treinados para detectar os elementos químicos presentes em aparelhos eletrônicos.