SP: "Gangue da Bananeira" assalta motoristas na Marginal Tietê

Criminosos se escondem na vegetação para atacar carros no trânsito; ação lembra a 'gangue do quebra-vidro' que atua no centro da capital paulista

Criminosos da 'Gangue da bananeira', na Zona Oeste de São Paulo
Foto: Reprodução/ Redes Sociais
Criminosos da 'Gangue da bananeira', na Zona Oeste de São Paulo

Motoristas que circulam pela Marginal Tietê têm denunciado uma prática criminosa, apelidada nas redes sociais de “Gangue da Bananeira” através de vídeos que mostram episódios assustadores na região da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo .

As imagens divulgadas revelam criminosos escondidos atrás de bananeiras e de outras vegetações às margens da via para aproveitar momentos de lentidão no trânsito e assaltar os condutores. As abordagens dos criminosos são rápidas e tem como foco carros e motocicletas, muitas vezes para furtar objetos visíveis ou intimidar condutores.

Em uma tentativa de conter o problema, um caseiro que trabalha na região chegou a podar árvores próximas, buscando reduzir os pontos de ocultação usados pelos criminosos, segundo reportagem da TV Record .

O iG entrou em contato com A SSP (Secretaria de Segurança de São Paulo), que informou que as Polícias Civil e Militar atuam de forma integrada no combate aos crimes patrimoniais em todo a cidade de São Paulo, incluindo a região mencionada na matéria.

Durante o primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025, segundo a SSP, houve queda de roubos e furtos em 4,8% e 7,9%, respectivamente, na região do 7º DP Lapa. Ainda, 211 infratores foram presos ou apreendidos na região.

A Polícia Militar mantém o patrulhamento reforçado, principalmente nos locais de maior incidência criminal, enquanto a Polícia Civil trabalha para identificar e responsabilizar os autores, localizar os objetos subtraídos e combater a receptação e a comercialização ilegal. As áreas com maior concentração de ocorrências são analisadas, e as informações compartilhadas entre os órgãos de segurança para orientar as ações.

A unidade da área analisa as imagens compartilhadas para identificar os envolvidos e esclarecer todos os fatos.

Gangue do quebra-vidro

A ação criminosa relembra outros casos parecidos na cidade, como a  “Gangue do Quebra-vidro” que se popularizou na capital no início de 2026. O método utilizado pelos assaltantes consistia em atirar fragmentos de cerâmica retirados de velas de ignição, conhecidos popularmente como “borrinha”, contra o vidro lateral dos carros, para acessar o interior do veículo de forma rápida e silenciosa, na intenção de levar objetos de valor .

Diferente dos comuns golpes com pedras ou barras de ferro, esses pequenos fragmentos concentram a pressão em um único ponto, fazendo o vidro temperado se estilhaçar quase de imediato. O baixo ruído da quebra e a facilidade de transporte da cerâmica tornavam a prática ainda mais vantajosa para os criminosos, que conseguiam agir em segundos e desaparecer rapidamente.


A prática chamou a atenção das autoridades e, em abril deste ano, a Polícia Militar desencadeou uma ação voltada para reduzir os ataques a veículos em São Paulo. Batizada de Impacto Quebra-Vidro, a operação se concentrou em áreas críticas da cidade, onde há maior incidência de roubos e furtos.

Mais de 200 agentes foram mobilizados em 126 pontos estratégicos, utilizando drones, helicópteros e dezenas de viaturas para reforçar o policiamento ostensivo e realizar buscas. O objetivo era mapear locais de risco e inibir a atuação de quadrilhas que agem em corredores viários e na região central.

Roubos constantes na Marginal Tietê

O cenário se soma a estatísticas preocupantes: um levantamento da empresa Ituran aponta que São Paulo registrou 14.108 roubos e furtos de veículos somente nos quatro primeiros meses de 2026 . Entre os bairros mais afetados estão Penha, Tatuapé e Vila Matilde, todos cortados pela Marginal Tietê, que se mantém como uma das áreas mais vulneráveis da capital.

Segundo o mapa do crime do GLOBO, os roubos de celulares na Marginal Tietê registraram alta de cerca de 80% entre 2023 e 2025. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informa em nota que contabilizou 517 ocorrências de roubo de celular na Marginal no ano de 2025, no ano de 2023, 276 casos de roubo foram registrados.