Como a Imigrantes virou marco de engenharia na Serra do Mar

Com 44 viadutos e 14 túneis, rodovia que corta a serra reduziu o impacto ambiental na construção da Pista Sul e virou referência

Rodovia dos Imigrantes
Foto: Divulgação/Ecovias
Rodovia dos Imigrantes

Rodovia dos Imigrantes (SP-160), que liga a capital paulista ao litoral, na Baixada Santista, se destacou internacionalmente como um marco da engenharia, ao apresentar um projeto diferente para percorrer os relevos da Serra do Mar .

Com 58,5 quilômetros de extensão, a estrada corta a serra em um dos seus trechos mais desafiadores, exigindo soluções que conciliam mobilidade, segurança e preservação ambiental . Para isso, a estrada conta com um sistema de 44 viadutos, sete pontes e 14 túneis, todos pensados para se adaptar ao espaço e reduzir o impacto sobre a Mata Atlântica .


Nova pista trouxe inovação

A famosa Rodovia foi construída em etapas, com a primeira pista, apelidada de Pista Norte, sendo inaugurada na década de 1970 ; naquele momento, as técnicas de construção seguiram o padrão imposto na época, resultando em uma intervenção pesada, com profundos cortes de terreno . Naquele momento, a preservação ambiental não era uma prioridade, e isso gerou a remoção de aproximadamente 16 milhões metros² de vegetação, que foram suprimidos para abrir caminho ao traçado da rodovia.

Três décadas depois, em 2002, a história se repetiu, mas com um enredo diferente: a Pista Sul foi entregue sob uma lógica moderna que tinha como objetivo a preservação da Mata Atlântica. O projeto priorizou túneis longos e viadutos suspensos para concentrar o fluxo de veículos, evitando a necessidade de desmatamento contínuo, removendo apenas 400 mil metros² de vegetação, uma redução de 97,5% em relação à primeira construção.

Nos trechos fechados, alguns dos túneis excedem 3 quilômetros de extensão, já nos espaços abertos, os viadutos chegam a até 70 metros de altura e cruzam vales cheios de vegetação. Outra estratégia adotada, foi o maior espaçamento entre os pilares dos viadutos, diminuindo a quantidade de estruturas dentro da floresta.

Gestão de riscos

A grandiosidade da Rodovia dos Imigrantes não se limita à sua construção. A operação da rodovia também é reconhecida por acolher um sofisticado sistem a de monitoramento e segurança, especialmente no trecho de serra, onde há formação constante de neblina .


A formação de neblina é um problema recorrente, uma vez que reduz a visibilidade dos motoristas e aumenta o risco de acidentes na estrada, para resolver isso, a concessionária adota medidas emergenciais, como câmeras distribuídas ao longo da pista, painéis eletrônicos com mensagens de alerta aos motoristas e estações meteorológicas acompanhando as condições climáticas em tempo real.

Em situações críticas, é acionada a chamada Operação Comboio, quando veículos da concessionária e da Polícia Militar Rodoviária conduzem os motoristas em velocidade reduzida, garantindo maior segurança em meio à baixa visibilidade.

Além das medidas emergências, a operação de tráfego na região também foi pensada para lidar com fatores climáticos extremos, como chuvas frequentes. Assim, o projeto do trecho de serra foi planejado com 20 km de curvas suaves, que atua diretamente na redução de acidentes automobilísticos.