
Uma operação da Polícia Militar de São Paulo, realizada na madrugada desta segunda-feira (24), resultou na descoberta de uma “casa-bomba” em Paraisópolis, a maior comunidade urbana do estado de São Paulo, localizada na Zona Sul da capital.
De acordo com informações fornecidas pela corporação, o imóvel vinha sendo utilizado como ponto estratégico para o tráfico de drogas, reunindo entorpecentes e equipamentos destinados ao processamento, fracionamento e embalagem dessas substâncias. Equipes da Companhia de Ações Especiais de Polícia (CAEP Oeste) realizavam incursões na região quando localizaram o imóvel, a tática utilizada pelas forças de segurança consiste em entrar de forma rápida e planejada em uma área específica, na intenção de interromper atividades criminosas.
No interior da residência, foram encontrados diferentes tipos de drogas, entre elas crack, maconha (inclusive a versão sintética conhecida como “ice”), cocaína e lança-perfume; parte do material já estava pronto para ser comercializado. Além dos entorpecentes, os policiais apreenderam também máquinas seladoras, balanças de precisão, embalagens plásticas e papeis com registros relacionados à movimentação financeira do tráfico.
A descoberta interrompeu o uso da residência como ponto de apoio logístico para a distribuição de drogas em Paraisópolis. Estimativas da Polícia Militar apontam que o prejuízo causado ao crime organizado ultrapassa R$ 500 mil, valor que corresponde ao montante de drogas e equipamentos retirados de circulação.
Todo o material encontrado no local foi recolhido e levado ao 89º Distrito Policial, onde a ocorrência passou a ser registrada e encaminhada para os procedimentos formais da Polícia Judiciária.
O que é uma “Casa Bomba”
Por mais que o nome engane, as chamadas “casas bomba” não têm relação alguma à explosivos. O termo surgiu durante a pandemia da COVID-19, aparecendo tanto em reportagens quanto no vocabulário policial, e é utilizado para fazer referência a imóveis usados como depósitos de drogas.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), esses locais comumente não tem moradores fixos e funcionam como pontos de apoio logístico para o tráfico.
De acordo com as intervenções realizadas nesses espaços, as “casas bomba” costumam ser descobertas a partir de denúncias, e o que os agentes encontram dentro deles são principalmente drogas já fracionadas e prontas para a venda.
A quantidade de entorpecentes varia bastante de acordo com o caso, podendo ir de apenas alguns pacotes até milhares de porções. Em situações menos frequentes, quando o material ainda não foi preparado para o comércio, os volumes apreendidos chegam a centenas de quilos. Entre os entorpecentes mais comuns nesses imóveis estão maconha, cocaína e crack.
Paraisópolis já teve outros casos similares neste ano
No dia 8 de julho deste ano, policiais militares do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano identificaram um imóvel na comunidade de Paraisópolis que também funcionava como centro de preparo, fracionamento, armazenamento e distribuição de drogas.
A residência foi identificada durante um patrulhamento pela Viela Emerson, quando os agentes perceberam um odor intenso característico de entorpecentes vindo de uma casa; ao entrar no local, constataram que o espaço operava como uma “casa-bomba”. Uma grande quantidade de entorpecentes já organizados para comercialização, foi apreendida.
Além das drogas, os policiais encontraram inscrições nas paredes com mensagens ofensivas e ameaças direcionadas à corporação.
Já no dia 28 de maio deste ano, outra ação resultou na descoberta de mais uma “casa-bomba”, além de "refinarias" na mesma região. A ação integrou a chamada “Operação Impacto Força Total” e provocou um prejuízo estimado em cerca de R$ 20 milhões ao crime organizado.
Durante as incursões pelas vielas da comunidade, os policiais localizaram imóveis desabitados que funcionavam como pontos logísticos do tráfico. Nesses locais, foram apreendidos aproximadamente 300 quilos de drogas, prensas hidráulicas, maquinários para refino, embalagens, rádios comunicadores, celulares e balanças de precisão. Em um dos endereços, os agentes também encontraram um carregador tipo “caracol” para fuzil calibre .556.