Cruzamento das Avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo
Reprodução/Prefeitura SP
Cruzamento das Avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo

A “Times Square paulistana”, como está sendo chamado o projeto que prevê a instalação de grandes painéis de led em ruas do Centro de São Paulo, foi aprovado, nesta quarta-feira (11), pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), da Prefeitura, órgão responsável pela aplicação da Lei Cidade Limpa.

A Lei Cidade Limpa não permite a instalação de telões do tipo e, por isso, o projeto foi analisado pela comissão que autoriza exceções pontuais.

Aprovado por oito votos favoráveis de conselheiros da prefeitura e seis contrários de representantes da sociedade civil, o projeto será viabilizada por meio de um termo de cooperação.

A Fábrica de Bares, proprietária do Bar Brahma, prevê a instalação de quatro painéis de LED na esquina das avenidas Ipiranga e São João . Os painéis só poderão ficar ligados das 5h às 23h.

Batizada oficialmente de Boulevard São João, a iniciativa estabelece que a publicidade ocupe no máximo 30% do tempo de exibição dos painéis, sendo permitida apenas a identificação institucional das marcas patrocinadoras.

Os outros 70% serão destinados a informações culturais e de utilidade pública.

Não serão permitidas propagandas de varejo, jogos de azar e bets, exibição de conteúdo adulto, imagens de violência e mensagens de teor político ou religioso.

Os painéis terão dimensões entre 300 m² e 1.000 m² e serão instalados em quatro edifícios: o Cine Paris República, o Edifício Herculano de Almeida, a Galeria Sampa e o Edifício New York. Por ser tombado, o Edifício Independência, onde funciona o Bar Brahma, receberá projeções em sua empena - a parede lateral externa.

O tempo mínimo por anúncio será de dez segundos.

Contrapartida

Como condição para a instalação dos painéis de LED, a empresa que vai executar o projeto, a Fábrica de Bares, deverá garantir melhorias na região central  de São Paulo  estimadas em R$ 6 milhões ao longo de três anos.

Ainda de acordo com a proposta aprovado, as ações incluem a reforma e o restauro da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a recuperação da estátua Mãe Preta e do Relógio de Enichel, todos localizados no centro histórico da capital paulista.

Mudança da região central

A presidente da CPPU, Regina Monteiro, defende a iniciativa, afirmando que "não se trata de exploração de mídia exterior e sim a veiculação da marca de quem está viabilizando o projeto".

Segundo ela, o instrumento existe há 20 anos, mas nunca saiu do papel.

"Cada um quer a sua 'Times Square'. É isso que a gente quer? Claro que não. Queremos regiões bem setorizadas, com projetos bem definidos e estruturados, para que possamos realmente mudar a cidade. Se as marcas podem ajudar a promover essa mudança, é isso que buscamos"


Cavalo de Troia

Críticos da iniciativa afirmam que a proposta enfraquece a Lei Cidade Limpa , criada há 20 anos com o objetivo de reduzir a poluição visual na cidade.

Um deles é o vereador Nabil Bonduki (PT), arquiteto, urbanista e ex-secretário municipal de Cultura da gestão Fernando Haddad.

Segundo ele, "a Time Square Paulistana pode se tornar um verdadeiro Cavalo de Troia para tornar a Lei Cidade Limpa ainda menos efetiva – e acabar, na prática, com os benefícios à paisagem urbana trazidos a São Paulo desde sua promulgação, em 2006".

"A criação dessa exceção pode abrir precedente para que iniciativas semelhantes surjam em outros pontos da cidade, como nas avenidas Paulista, Berrini, e Faria Lima ou no Parque do Ibirapuera, por exemplo. Aos poucos, corremos o risco de ver São Paulo voltar ao cenário anterior à Lei Cidade Limpa, aprovada há 20 anos na gestão Kassab"


Com a aprovação na Comissão de Proteção à Paisagem Urbana, a prefeitura prevê a implementação do projeto nos próximos três a quatro meses.


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