
As prefeituras do Rio de Janeiro e de Niterói (RJ) selaram uma parceria, nesta terça-feira (25), para integrar os sistemas de inteligência e segurança das cidades e criar um cinturão de vigilância eletrônica contra o crime. A medida busca asfixiar principalmente as quadrilhas especializadas em roubos de veículos e cargas que cruzam a divisa entre os municípios.
O acordo de cooperação foi assinado pelo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), e pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), durante apresentação realizada no Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio).
Como vai funcionar o cinturão de segurança

Pelo lado do Rio, está a tecnologia da Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública (CIVITAS) , que conta com mais de 13 mil equipamentos, sendo mais de 3.500 supercâmeras, que ampliam a capacidade de produção e análise de informações.
Já por Niterói, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) conta com videomonitoramento, cercamento eletrônico e acionamento das forças de segurança em tempo real. A cidade conta com portais nas entradas e saídas e com ShotsPotter, sistema que identifica disparos de armas de fogo em segundos, indicando sua localização exata e o tipo de armamento utilizado.
A integração dos sistemas de ambos os municípios cria uma barreira tecnológica que cobre pontos estratégicos da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
As principais frentes do projeto são:

Monitoramento completo que começa nos acessos à ponte Rio-Niterói e se estende até o final da avenida Brasil.
- Mais de 144 equipamentos integrados capazes de ler até 180 mil placas de veículos por dia em tempo real.
- Instalação de uma barreira eletrônica na subida da ponte Rio-Niterói, no lado da capital, para rastrear carros roubados cruzando a divisa.
- Assim que um veículo suspeito passar pelas câmeras da capital, o sistema de Niterói será alertado imediatamente, e vice-versa.
Impacto da tecnologia nos números da Segurança Pública

Segundo a prefeitura de Niterói, graças ao trabalho da CISP o roubo de veículos reduziu a média de 250 veículos roubados por mês para apenas cinco em agosto deste ano.
Outro dado que, segundo o prefeito Rodrigo Neves (PSD), aponta o sucesso do sistema é que a cidade registrou apenas três roubos de carga neste semestre.
No Rio, a CIVITAS, que possui mais, tem como o seu maior usuário de imagens a própria Polícia Civil do estado. Segundo o prefeito Eduardo Caveliere (PSD), a corporação responde por 85% das demandas para investigações.
O sistema opera cerca de 50 pedidos de investigação por dia das forças de segurança e já apoiou mais de 6.400 casos nos últimos dois anos.
Como casos de destaque, Rodrigo Neves (PDT), citou que cerco inteligente de Niterói permitiu à polícia prender o assassino de um policial civil na Região Oceânica da cidade em menos de duas horas após o latrocínio, rastreando seu trajeto de fuga.
Já o prefeito Eduardo Caveliere (PSD), citou o apoio da CIVITAS nas investigações para localizar grupo que matou um ciclista em Copacabana, na Zona Sul da cidade, após acusá-lo injustamente de roubo.
Expansão do cerco eletrônico
Para fechar as portas de entrada de criminosos na capital fluminense, a prefeitura do Rio planeja implantar um total de 56 muralhas digitais.
Além do ponto na ponte Rio-Niterói, a prefeitura do Rio já instalou barreiras em Vigário Geral, na divisa com Duque de Caxias, e planeja avançar no mês de setembro com novas muralhas na linha vermelha até os limites com Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.