
A sentença do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros, ambos réus no processo que julga a morte do menino Henry Borel, pode ser definida nesta quarta-feira (3).
No 10º dia, o júri é o mais longo do estado do Rio de Janeiro, desde o da deputada federal Flordelis, condenada a mais de 50 anos de prisão pelo assassinato do marido Anderson do Carmo.
Ao todo, 22 testemunhas foram ouvidas durante os nove dias, além dos dois acusados.
A previsão é que a sessão desta quarta tenha duração de mais de nove horas, tendo em vista que o Ministério Público, os assistentes de acusação e a defesa de Jairinho e Monique terão 2 h e 30 min cada para apresentar aos jurados as teses sobre o caso.
Como há dois réus, os advogados das defesas devem dividir entre si o tempo.
Após as argumentações iniciais, a acusação irá fazer manifestações complementares dentro de 1 hora. Logo em seguida, a defesa terá direito a mais 1 hora para resposta.
Somente assim, o Conselho de Sentença, formado por sete jurados, neste caso, cinco homens e duas mulheres, irão se reunir para definir o destino dos réus, por maioria simples.
Cabe a juíza Elizabeth Louro, que preside o júri, anunciar a dosimetria (tamanho da pena), nos casos em que há condenação.
Depoimentos de Monique e Jairinho
Os dois réus foram interrogados pelo 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (2).
Por liminar concedida pelo desembargador Sidney Rosa, da Sétima Câmara Criminal, foi determinado que Monique fosse interrogada antes dele.
De acordo com o Tribunal de Justiça, ela contou como era o relacionamento com o ex-vereador. Na época, ele era divorciado e tinha três filhos.
Inicialmente, os dois moravam em casas separadas em Bangu. Depois, decidiram mudar para um apartamento na Barra da Tijuca, onde passaram a morar juntos e contrataram a babá Thayná de Oliveira Ferreira.
Monique relatou que quando passaram a morar na Barra da Tijuca, Henry começou a se queixar de "abraços apertados" por parte de Jairinho, dores no joelho depois de passar um tempo com o padrasto e pedidos para ficar mais na casa dos avós, em Bangu.
Ela também comentou sobre o ciúme excessivo de Jairo, com roupas, senhas do celular e controle de localização.
Achava que o ciúmes do Jairinho era amor, carinho, cuidado, o que eu não tive no meu casamento de 10 anos. Além de ter minha localização do celular, pediu que eu bloqueasse os amigos homens nas redes sociais. Monique Medeiros, mãe de Henry Borel.
No dia 8 de março de 2021, data da morte do menino de 4 anos, Monique disse que acreditava que o filho tinha sido vítima de uma queda acidental e que só foi saber da gravidade dos ferimentos com o laudo do Instituto-Médico Legal, que constatou laceração do fígado por ação contundente.
Ao ser questionada pela juíza se acreditava que Jairinho fosse o responsável pela morte do filho, afirmou: "Creio que foi o Jairo".
Logo após o depoimento, Jairo começou a responder as perguntas feitas pela defesa.
O ex-vereador disse não ter cometido violência contra as ex-namoradas, testemunhas do júri e, negou a acusação da babá Thayná Ferreira, que mencionou no depoimento que ele havia torturado o enteado.
Eu não fiz isso com o Henry. A Monique sabe, o pai, a mãe, o irmão da Monique sabem. O pai do Henry sabe que eu não fiz nada com o menino. Ele dormia quatro vezes por semana na casa do avô. A avó, dona Rosangela, dormia na nossa casa. Todos tomavam conta do Henry. E a investigação contra mim tem como base a percepção abstrata da Thayná sobre agressões contra o Henry que nunca aconteceram. Minha vida está destruída por causa de prints que pegaram da babá. Jairo Souza Santos Júnior, padrasto de Henry Borel.
O réu também negou a acusação de omissão de socorro ao Henry.
Em outro momento do interrogatório, a defesa mencionou o fato do hospital Barra D’Or não fornecer as imagens desde a chegada do menino, assim como o raio-x realizado antes da criança ter a morte declarada. A defesa sustentou que houve erro médico no atendimento.
Relembre o caso
Henry Borel, de 4 anos, foi levado ao hospital já sem vida pela mãe, Monique Medeiros, com várias manchas roxas pelo corpo e cerca de 23 lesões graves constatadas durante as investigações.
Monique e o padrasto, Jairo de Souza Santos, o Dr. Jairinho, teriam alegado uma queda acidental. No entanto, a perícia e reconstruções 3D descartaram a hipótese de acidente.
A acusação realizada pelo Ministério Público aponta que Jairinho desferiu agressões fatais, enquanto Monique se omitiu para manter o relacionamento.
*Estagiária sob supervisão