
Uma manhã de trabalho comum terminou em cenas de terror na cidade de Fukushima, no nordeste do Japão, após um urso-negro invadir as instalações da Fukushima Steel Works e atacar funcionários. O incidente deixou quatro pessoas feridas e reacendeu o debate sobre o aumento alarmante dos encontros entre humanos e ursos no país. As informações são do South China Morning Post.
O ataque ocorreu no distrito de Sasakino, onde equipes da polícia e dos bombeiros foram acionadas após uma ligação de emergência informando que diversos trabalhadores haviam sido atacados por um urso dentro do complexo industrial. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o momento em que o animal surge próximo à entrada da siderúrgica e passa a perseguir um funcionário.
Trabalhador tenta escapar do urso
Nas gravações, o trabalhador tenta escapar correndo, mas é alcançado pelo urso, que o derruba no chão antes de seguir em direção a um dos prédios da empresa. Segundo as autoridades locais, dois empregados da siderúrgica ficaram feridos durante a invasão inicial. Mais tarde, outras duas pessoas foram atacadas nas proximidades, incluindo uma mulher na faixa dos 80 anos e um homem de cerca de 60 anos. Nenhuma das vítimas corre risco de morte, embora uma delas tenha sofrido ferimentos considerados moderados.
Até a noite de terça-feira, o urso ainda não havia sido capturado. A suspeita das autoridades era de que ele estivesse escondido em algum prédio dentro de um complexo empresarial próximo. Áreas foram isoladas por precaução, e escolas da região chegaram a suspender atividades presenciais, transferindo aulas para o formato online.
O episódio ocorre em meio a uma crise crescente envolvendo ataques de ursos no Japão. Dados do Ministério do Meio Ambiente japonês mostram que 2025 registrou o maior número de vítimas da história recente do país. Foram 238 pessoas feridas ou mortas em incidentes envolvendo os animais, incluindo 13 fatalidades — ambos recordes nacionais.
Especialistas apontam vários fatores para o aumento dos ataques. Entre eles estão o crescimento das populações de ursos, a redução da população humana em áreas rurais, a escassez de alimentos naturais nas florestas e os efeitos das mudanças climáticas sobre os ecossistemas. A falta de nozes, bolotas e outros alimentos silvestres tem levado os animais a se aproximarem cada vez mais de cidades e zonas residenciais em busca de comida.
O Japão abriga duas espécies de ursos. O urso-negro-asiático vive principalmente nas ilhas de Honshu e Shikoku e é responsável pela maior parte dos ataques registrados. Já o urso-pardo-de-Hokkaido, significativamente maior, habita a ilha de Hokkaido, no extremo norte do país. Autoridades estimam que existam cerca de 57 mil ursos vivendo no território japonês.
Diante da escalada dos incidentes, o governo japonês vem ampliando medidas de controle, incluindo armadilhas, autorização para abates em áreas urbanas, uso de drones e até a mobilização de forças de segurança em regiões consideradas críticas. Apesar dos esforços, especialistas alertam que os encontros entre humanos e ursos podem continuar aumentando nos próximos anos.