Traficantes cortam fibras ópticas e monopolizam internet em São Gonçalo
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Traficantes cortam fibras ópticas e monopolizam internet em São Gonçalo

O município de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, vive momentos de guerra e disputas por território entre traficantes. Tal contexto se expande para um embate que acabou se naturalizando nos últimos anos: a internet do tráfico.

Moradores de diferentes bairros de São Gonçalo alegam que os criminosos vinculados ao Comando Vermelho têm cortado cabos de fibra óptica e impondo moradores a utilizarem uma rede de internet organizada e instaladas pelos próprios traficantes.

Uma moradora do bairro Luiz Caçador, que preferiu não se identificar, contou ao  Portal iG alguns detalhes de como os criminosos se aproveitam diariamente através destas estratégias.

"A gente fica refém disso, hoje em dia é impossível ficar sem internet, preciso estudar, ver coisas do trabalho, mas a única internet que tem é a deles (traficantes), e eles insistem em deixar isso bem claro", afirmou.

Ao ser questionada sobre os preços, a moradora afirmou que o serviço oferecido pelos traficantes já sofreu, inclusive, reajustes.

"Acho que quando começou eu pagava 180 e pouco, algo assim, hoje eu pago mais de 200 reais. E é o que eu disse, você fica sem saída: ou paga ou fica sem nada", explicou.

A estrutura

Áreas dominadas pelo CV monopolizam provedor de internet
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Áreas dominadas pelo CV monopolizam provedor de internet

O serviço de internet oferecido pelos traficantes tem organização similiar a de empresas que trabalham com fibra óptica. Chefia, contadores, instaladores de redes e um alto processo de subordinação: essa é a cadeia estrutural utilizada pelo Comando Vermelho para ter controle nas ações com os moradores. A depender da demanda, a instalação acontece apenas mediante agendamento. Caso tenha "funcionários", o processo ocorre na mesma hora. 

Em algumas comunidades, o serviço é terceirizado. Instaladores ou técnicos em Telecomunicações de outras empresas são contratados por fora para a instalação da internet.

Na última semana, policiais civis, por meio da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), acabaram com uma organização de provedores clandestinos de internet no bairro Mutuá. Os equipamentos utilizados pelos traficantes, de acordo com os policiais, foram furtados de outras concessionárias.

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