Jairinho, na Câmara dos Vereadores, antes de ser preso, e em interrogatório prestado no II Tribunal do Júri, em 13 de junho
Reprodução/Brunno Dantas TJRJ - 15.06.2022
Jairinho, na Câmara dos Vereadores, antes de ser preso, e em interrogatório prestado no II Tribunal do Júri, em 13 de junho

Durante a continuação da audiência de instrução e julgamento no processo em que é réu com a ex-namorada, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, por torturas e morte do filho dela, Henry Borel Medeiros, Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, chamou atenção por seu visual. Vestindo calça jeans, camisa branca, casaco azul e um par de tênis, o médico e ex-vereador aparentava estar cerca de dez quilos mais magro e usava óculos quando participou do interrogatório no plenário do II Tribunal do Júri, na última segunda-feira. Na ocasião, por cerca de seis horas, 14 meses após ser preso, alegou inocência e atacou peritos da Polícia Civil e médicos do Hospital Barra D’Or.

Jairinho foi preso com Monique, por policiais da 16ª DP (Barra da Tijuca), na casa de dois andares de uma familiar, em uma rua de pouco movimento em Bangu, na Zona Oeste do Rio, por volta de 6h de 8 de abril do ano passado. Naquela manhã, ele foi encaminhado para exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro da cidade, e levado então para a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte, onde passou por uma audiência de custódia que manteve a prisão temporária do casal.

Jairinho, durante interrogatório no II Tribunal do Júri, e antes de ser preso, em viagem com Monique a Itaipava
Reprodução/Brunno Dantas TJRJ - 15.06.2022
Jairinho, durante interrogatório no II Tribunal do Júri, e antes de ser preso, em viagem com Monique a Itaipava

No fim daquela tarde, os dois se separaram: enquanto Monique seguiu para o Instituto Penal Ismael Sirieiro, no Fonseca, Zona Norte de Niterói, Região Metropolitana do estado, Jairinho foi levado em uma viatura da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, no Complexo de Gericinó, conhecido como Bangu 8, destinados a detentos com ensino superior e onde ficaram os presos da operação Lava Jato, como políticos e empresários suspeitos de desvio de recursos públicos.

Após cumprir isolamento seguindo os protocolos contra a Covid-19 por 14 dias na cela C3, ele passou pela chamada classificação de risco e teve permissão do diretor da unidade prisional para ingressar em uma cela onde conviveria com outros internos. Uma semana depois, o ex-vereador chegou a procurar atendimento médico no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, também no Complexo de Gericinó, onde relatou sentir dores de cabeça, tontura e um quadro de ansiedade, e novamente retornou ao Pedrolino Werling de Oliveira.

Desde então, Jairinho ocupa, com outros 22 presos, a cela D, um dos maiores espaços coletivos da unidade, com cerca de 70 metros quadrados e capacidade para até 44 pessoas. Atualmente, além dele, estão lá, o ex-funcionário da Prefeitura Mário Marcelo Santoro, acusado de assassinar a ex-namorada Cecília Haddad, na Austrália; o tabelião Ricardo Vasconcellos, que matou a mulher grávida e os sogros, em Nova Friburgo; e o economista e empresário Eduardo Fauzi, suspeito de jogar coquetéis molotov na fachada da produtora Porta dos Fundos, em Botafogo.

No espaço, além de banheiro, os presos dispõem de beliches e um aparelho de televisão, onde assistem a canais abertos e à noite costumam ver novelas. Diariamente, Jairinho tem à duas horas de banho de sol no pátio da unidade e recebe as visitas das ex-mulheres Ana Carolina Ferreira Neto e Fernanda Abidu Figueiredo, de seus três filhos, além dos advogados. Além da alimentação disponibilizada pela Seap, comidas e remédios controlados que ele toma há pelo menos dez anos podem ser levados por parentes
.

"Jairinho tem sofrido física e psicologicamente, há mais de um ano, as consequências da prisão. As recentes audiências do processo, em especial o depoimento prestado por ele, revelam erros e contradições no laudo, uma investigação mal feita e uma denúncia equivocada. O médico e ex-vereador tem todos os requisitos para responder este processo em liberdade e a defesa vai em busca disso", disse o advogado Claudio Dalledone.

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