Lúcia Mello foi uma das 20 vítimas do acidente de 2017
Reprodução/Twitter - 21.04.2022
Lúcia Mello foi uma das 20 vítimas do acidente de 2017

"Foram quatro meses sem saber o que ia acontecer comigo. Eu quase fui a óbito", lembra a fotógrafa Lúcia Mello, uma das 20 pessoas imprensadas, em 2017,  por uma alegoria desgovernada da escola Paraíso do Tuiuti.  O carro bateu na grade do setor 1 no momento que fazia uma curva, e atingiu quem estava no local. Lúcia teve traumatismo craniano, escoriações no rosto e no ombro direito, além de fratura exposta e esmagamento da perna esquerda, que lhe renderam 17 cirurgias. Cinco anos depois, ela ainda não teve alta médica completa.

"Minha vida mudou completamente. Hoje, eu tenho mobilidade reduzida, faço uso de muletas e preciso sempre de álguem do meu lado. Não consigo subir um meio-fio sem uma pessoa para me apoiar. Tudo se torna um sacrifício. Não estou trabalhando, como vou trabalhar? Ficou muito complicado, é a minha família por mim e só" diz.

Apesar do acidente, Lúcia ama o carnaval e conta que não consegue ficar longe da cobertura dos desfiles das escolas de samba — que faz desde 2008. Inclusive, quando a  menina de 11 anos, Raquel Antunes Silva, que teve uma das pernas amputadas  depois de ser esmagada entre um carro alegórico da escola Em Cima da Hora e um poste depois da dispersão na Rua Frei Caneca na noite desta quarta-feira (20), a fotógrafa estava na Marquês de Sapucaí.

"Quando fiquei sabendo logo me veio na cabeça tudo o que eu e minha família passamos. Eu penso no desespero dessa mãe e em tudo o que ela vai passar" solidariza-se.

Um ano depois do ocorrido, Lúcia Mello voltou à Sapucaí, mas diz que não conseguiu ficar nem vinte minutos. Além do trauma ainda recente, estava na cadeira de rodas e num local desconfortável. Em 2019, tentou novamente. Ainda na cadeira de rodas, considerou a experiência "um desastre" porque não conseguia ver nada. Em 2020, desistiu de participar por toda a frustração dos anos anteriores, mas esse ano quis voltar, apesar do sacrifício:

"Foi de novo muito sacrificante. Eu não tenho onde ficar, tenho que ficar procurando um lugar que eu consiga assistir melhor para tentar fazer umas fotos e que me mantenha segura."

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Segundo Lúcia, a Paraíso do Tuiuti nunca deu nenhum tipo de assistência a ela ou a sua família, "nunca nem perguntou se eu precisava de uma dipirona". No entanto, ambas as partes entraram em um acordo e uma indenização foi paga.

O caso de Raquel

Raquel Antunes Silva, de 11 anos,  teve uma das pernas amputadas  depois de ser esmagada entre um carro alegórico da escola Em Cima da Hora  e um poste depois da dispersão na Rua Frei Caneca na última quarta-feira (20).  A menina está internada em estado gravíssimo e, segundo uma amiga da mãe dela, Daiane Costa, tinha sentado no carro para tirar uma foto. Imagens após o acidente mostram marcas de sangue, carro alegórico arranhado e chinelos que seriam da menina.

A amiga da família acompanhou Raquel na ambulância até o Hospital Souza Aguiar, no Centro do Rio. Ela disse que a menina teve fratura exposta e que a mãe dela, Marcela Portelinha, desmaiou diversas vezes desde o acidente e está traumatizada.

Daiane reclamou de falta de informações durante o procedimento médico essa noite e também de falta de assistência da escola de samba. A menina passou por uma cirurgia de mais de 8 horas de duração.

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