
A Polícia Federal (PF) decidiu arquivar a apuração de uma suposta interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras, solicitada no último dia 1 de outubro pela Advocacia-Geral da União (AGU). A PF e a Procuradoria Geral da República (PGR) foram acionadas depois que o jornal britânico The Guardian denunciou possível destinação de US$ 1 milhão do governo de Donald Trump para financiar iniciativas contrárias ao Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, sob a justificativa de combater supostos excessos judiciais e práticas de censura.
No documento, a AGU argumentou que a denúncia era especialmente grave porque ocorria durante o processo eleitoral brasileiro e em meio a episódios de pressão externa sobre instituições brasileiras.
No dia do primeiro turno das eleições, domingo (4), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou que estava sendo feita uma apuração preliminar sobre o caso, através da Diretoria de Inteligência, sem instauração formal de inquérito.
Também no domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques , em coletiva de imprensa, afirmou que não foi constatada nenhuma intercorrência no primeiro turno das eleições que possa ser caracterizada como interferência estrangeira no pleito.
Nunes Marques acrescentou ainda que observadores internacionais que acompanharam o pleito confirmaram a transparência e a normalidade das eleições.
A reportagem
O pedido de investigação apresentado à PF e à PGR foi assinado pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e outros três membros da instituição.
Com base na denúncia do jornal britânico, a AGU pedia a apuração dos fatos narrados, ressaltando a gravidade das informações apresentadas pelo jornal.
De acordo com reportagem do The Guardian que motivou a notícia-crime, os repasses do Departamento de Estado norte-americano teriam sido feitos pelo 'Human Rights and Democracy Fund' (HRDF) ao programa " Countering Lawfare and Censorship in Brazil", que supostamente combateria supostos excessos judiciais e práticas de censura no país.
A PF, porém, concluiu que não havia elementos mínimos que justificassem a abertura de uma investigação criminal e decidiu arquivar o caso, antes de abrir inquérito .
Nos Estados Unidos
Enquanto a PF arquiva a apuração, nos Estados Unidos, 12 deputados democratas acusaram o governo Trump de tentar influenciar as eleições brasileiras. Em carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, na terça-feira (6), os parlamentares afirmaram que as medidas adotadas por Washington representam uma “escalada desnecessária” e podem prejudicar as relações entre os dois países.
Os congressistas citaram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti , as tarifas e sanções impostas a autoridades brasileiras e reportagens sobre o possível envio de representantes americanos para questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Na carta, eles pediram explicações sobre as medidas e questionaram por que o Departamento de Estado teria buscado examinar o sistema eleitoral durante uma campanha presidencial. Rubio foi instado a responder aos questionamentos até 20 de outubro, antes do segundo turno.
Os deputados afirmaram ainda que a relação entre os dois países deve respeitar as escolhas democráticas dos brasileiros, e não ser condicionada ao resultado eleitoral desejado pelo governo Trump.