
Flávio Bolsonaro (PL) cometeu um erro de todo finalista que chega favorito à grande decisão: colocou a mão na taça. Com a bola em jogo.
O filho de Jair Bolsonaro tem razões para celebrar o resultado de domingo. O partido dele conseguiu uma maioria avassaladora no Congresso, tanto na Câmara quanto no Senado. Elegeu governadores aliados em praticamente todos os estados do Sul, do Sudeste e do Centro Oeste.
E largou na segunda fase da disputa presidencial com vantagem não só numérica sobre Lula (PT), mas também de perspectiva.
Com 47% dos votos válidos, ele já ganhou o apoio de Romeu Zema, do Novo (0,27%), e de Ronaldo Caiado, do PSD (2,18%). Também ganhou apoio de Michel Temer (leia-se o MDB) e do centrão, com a federação União Progressista à frente.
Na matemática, se os ex-rivais forem minimamente efetivos na capacidade de transferir votos, Flávio bate os 50% + 1 dos válidos e está eleito.
Só que eleição não é matemática, e há mais variáveis na conta da decisão do voto (e do não-voto) do que supõe o comitê do candidato.
Em 2006, Geraldo Alckmin, hoje vice de Lula e na época candidato do PSDB à Presidência, conseguiu juntar menos votos no segundo turno do que no primeiro. Como? Por erros próprios e pela capacidade do adversário de mobilizar apoiadores quando a água bateu no joelho.
Flávio parece esnobar de tudo isso.
Dois dias após a votação, ele disse claramente que pretende mudar a Constituição agora que tem maioria parlamentar (o que ele quer mudar? Não se sabe e ninguém questionou).
Seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), já bateu às portas do STF para dizer ao presidente da Corte como o jogo vai ser jogado a partir de agora.
E Pablo Marçal, apoiador de última hora do Zero Um, já disse que está na pista para assumir qualquer cargo que o neoaliado quiser. Inclusive o de ministro da Suprema Corte. Para isso tirou da gaveta o diploma de advogado que nunca usou.
Alguém precisa avisar que enquanto a extrema-direita comemora o título a bola ainda está rolando.
Que o jogo só acaba dia 25.
E que a soberba é um dos pecados capitais de qualquer eleição.