
Um homem e sua companheira foram condenados pela Justiça de Goiás a penas que, somadas, ultrapassam 363 anos de prisão por crimes de estupro de vulnerável contra crianças e armazenamento de material de pornografia infantil. O caso aconteceu em Morrinhos, no estado de Goiás.
O homem recebeu pena de 204 anos, 4 meses e 10 dias de reclusão, enquanto a mulher foi condenada a 159 anos e 17 dias de prisão. Ambos deverão cumprir as penas inicialmente em regime fechado.
A sentença também determinou que os d ois permaneçam presos e negou o direito de recorrer em liberdade.
A acusação foi conduzida pela promotora de Justiça Márcia Gomes Bueno, da 3ª Promotoria de Justiça de Morrinhos. Durante o processo, foram realizados depoimentos especiais das crianças em ambiente protegido e ouvidas mais de 20 testemunhas.
A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça Guilherme Vicente de Oliveira.
Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), a sentença seguiu os pedidos feitos pela acusação, incluindo o aumento das penas devido à participação dos dois réus e à relação de autoridade que exerciam sobre as crianças.
A decisão também considerou separadamente os crimes praticados contra diferentes vítimas e determinou o pagamento de indenização individual para cada criança.
Como os crimes aconteciam
Segundo o que foi apurado, os fatos ocorreram entre 2021 e julho de 2025. O casal usava dois métodos para atrair crianças até a residência onde moravam. A mulher oferecia serviços de babá às mães da vizinhança e, além disso, amigas da filha do casal eram convidadas para brincar na casa. Estabelecida a confiança, as crianças eram deixadas aos cuidados dos réus e era nesse momento que os abusos ocorriam. Foram identificadas ao menos dez vítimas, com idades entre 3 e 7 anos à época dos fatos.
Os crimes foram descobertos depois que a filha da mulher e enteada do homem encontrou, no celular da mãe, uma mensagem em que ele pedia fotos íntimas dela. A jovem mostrou a conversa para a tia e a avó, que procuraram as autoridades. A partir disso, a polícia iniciou as investigações.
A Justiça autorizou a busca e apreensão e a quebra do sigilo dos dados dos celulares. Durante a perícia, foram encontrados 230 gigabytes de material pornográfico envolvendo crianças, além de vídeos que, segundo a investigação, mostram os próprios réus cometendo os crimes.
Os dois foram presos em flagrante em 9 de outubro de 2025, durante o cumprimento do mandado judicial, e permaneceram presos durante todo o processo.
Decisão da Justiça
Além das penas de prisão em regime fechado, a sentença decretou a perda do poder familiar dos réus sobre os próprios filhos e fixou indenização de R$ 30 mil para cada vítima dos crimes sexuais e de R$ 10 mil para cada criança cujas imagens foram armazenadas. A magistrada também determinou a destruição dos aparelhos celulares e o encaminhamento imediato das vítimas e de suas famílias para acompanhamento psicológico especializado.
A Justiça rejeitou o argumento da defesa de que a mulher teria agido sob coação do companheiro: segundo a Justiça, as mensagens trocadas entre os dois, os vídeos produzidos por eles e os depoimentos das testemunhas mostram que ela participou dos crimes de forma ativa e consciente.