Dados do caso Master foram acessados em delegacia de MG

Documentos da PF apontam consulta a sistema restrito em Juiz de Fora durante apuração Operação Compliance Zero, sobre Daniel Vorcaro

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Foto: Divulgação/Banco Master
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Informações sigilosas de investigações da Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro foram acessadas a partir da Delegacia da PF em Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. A consulta ocorreu durante a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de crimes financeiros e a atuação de um grupo ligado ao ex-banqueiro.

O iG teve acesso aos documentos da PF, que comprovam os acessos indevidos (veja abaixo no infográfico como tudo aconteceu dentro da delegacia mineira).

Auditoria da PF apontou a cidade

Segundo os documentos liberados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), policiais encontraram registros de consultas a  investigações relacionadas a Vorcaro em um sistema interno da PF, chamado ePol. 

Não obstante, a evidência acima comprova que a organização criminosa conseguiu realizar, indevidamente, pesquisas no sistema ePol, que é de acesso exclusivo de policiais federais. Diante da gravidade de tal acesso, foi determinada a imediata realização de auditoria nos sistemas da PF, diligência que se encontra em curso e revelou, até agora, que o acesso indevido partiu da Delegacia da Polícia em Juiz de Fora/MG.
Relatório da PF.


A apuração chegou à Delegacia de Juiz de Fora após um episódio ocorrido em 15 de setembro de 2025. Na ocasião, Luíz Phillipi Mourão, identificado pelo codinome Sicário, teria enviado a Vorcaro uma captura de tela do ePol.

A imagem mostrava o resultado de uma pesquisa pelo nome do ex-banqueiro e continha dados e números de  investigações policiais.

A partir disso, a PF fez uma auditoria interna para descobrir de onde havia sido feito o acesso. O levantamento mostrou que a consulta teve origem em um computador da Delegacia da PF em Juiz de Fora.

Dados do caso Master foram acessados em delegacia de MG
Foto: Conteúdo gerado por IA
Dados do caso Master foram acessados em delegacia de MG


Segundo a corporação, a evidência indicava que a organização conseguiu fazer pesquisas indevidas no sistema. Por isso, a PF determinou uma auditoria nos sistemas da instituição, que ainda estava em andamento.

Policial aposentado é citado

Os registros da investigação também citam o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, que trabalhou na Delegacia da PF em Juiz de Fora, antes de se aposentar em agosto de 2022.

Segundo os documentos, Marilson estaria recebendo " missões " para levantar informações sobre processos judiciais e investigações policiais envolvendo Vorcaro que estavam em andamento na PF.

Marilson também é apontado pela PF como líder da chamada " Turma ". Segundo a investigação, o grupo era formado por policiais que faziam diferentes tarefas ordenadas por Vorcaro, como intimidação de desafetos e obtenção de dados sigilosos.


Grupo teria recebido R$ 9,6 milhões

Ainda de acordo com a investigação, a "Turma" poderia ter recebido até R$ 9,6 milhões para dividir entre os integrantes. Uma contabilidade apresentada por Sicário a Vorcaro indicaria que o grupo recebia R$ 400 mil por mês, valor que seria dividido entre seis membros.

Luíz Phillipi Mourão foi preso em março deste ano durante a  Operação Compliance Zero e morreu por suicídio dias depois.

Em nota ao iG, a defesa de Marilson Roseno da Silva disse que "por regras de compliance, não comentamos casos em andamento que acompanhamos".

O iG procurou a Polícia Federal para saber quem realizou o acesso identificado na Delegacia de Juiz de Fora e quais informações foram consultadas, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. A redação também procurou a defesa de Daniel Vorcaro, mas também não houve resposta.