Homem filmado atirando na namorada é condenado a 19 anos

Jovem de 23 anos registrou o momento em que foi baleada; jurados reconheceram motivo torpe, feminicídio e recurso que dificultou a defesa da vítima

Diego Fonseca Borges foi condenado a 19 anos pelo feminicídio de Ielly Gabriele Alves
Foto: Reprodução
Diego Fonseca Borges foi condenado a 19 anos pelo feminicídio de Ielly Gabriele Alves

Diego Fonseca Borges foi condenado a 19 anos, quatro meses e 22 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelo feminicídio de Ielly Gabriele Alves, de 23 anos, em Jataí, no sudoeste de Goiás . O caso ganhou repercussão depois que um vídeo vídeo no celular de Ielly foi encontrado pela polícia. As imagens mostram o momento que Diego Fonseca aponta a arma contra a ex-namorada e dispara.


O julgamento começou na manhã de quinta-feira (27) e terminou por volta das 6h desta sexta-feira (28), após aproximadamente 21 horas de sessão.

O Conselho de Sentença reconheceu que Diego matou a jovem com intensão, o chamado dolo, além de considerar três qualificadoras: motivo torpe, emboscada ou recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio.

A sentença foi proferida pelo juiz Lucas Caetano Marques de Almeida, presidente do Tribunal do Júri da Comarca de Jataí. O magistrado determinou o cumprimento imediato da pena, manutenção da prisão e fixou em R$ 250 mil o valor de indenização.

Como foi calculada a pena

Na primeira etapa, o juiz estabeleceu a pena-base em 14 anos e três meses de reclusão. O motivo torpe, reconhecido pelos jurados, foi considerado uma circunstância desfavorável.

Na segunda fase, a pena foi elevada em razão da reincidência e do uso de recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa de Ielly. Diego possui uma condenação anterior por roubo, com trânsito em julgado em 2016. Com as agravantes, a pena definitiva chegou a 19 anos, quatro meses e 22 dias.

O crime ocorreu em novembro de 2023, quando o feminicídio ainda era tratado como uma qualificadora do homicídio, com pena prevista de 12 a 30 anos. A legislação aprovada em 2024 transformou o feminicídio em crime autônomo e elevou a pena para 20 a 40 anos, mas não pode retroagir para prejudicar o réu.

Relembre o crime

Ielly Gabriele Alves foi morta na noite de 4 de novembro de 2023, em uma estrada de terra na zona rural de Jataí. Ela e Diego mantiveram um relacionamento por aproximadamente um ano e seis meses.

Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), a relação era marcada por ciúmes excessivos, ameaças, agressões e desentendimentos. Amigas da jovem relataram que Diego teria comprado uma arma para intimidá-la. Ielly havia decidido encerrar o relacionamento e contou à mãe que os dois continuariam amigos.

No dia do crime, Diego convidou a jovem para ir ao rancho de um tio dele. Depois que deixaram a propriedade, os dois seguiram por uma estrada de terra e pararam em um local ermo.

Ielly começou a filmar a conversa com o celular porque Diego estava com uma arma. A gravação registrou o momento em que ele apontou a arma e efetuou o disparo que atingiu a jovem. O vídeo se tornaria uma das principais provas do processo.

Após o tiro, Diego levou Ielly ao Hospital das Clínicas Dr. Serafim de Carvalho, onde ela morreu. Inicialmente, ele disse às autoridades que a jovem havia sido baleada durante uma tentativa de assalto praticada por dois homens em uma motocicleta.

A versão começou a ser questionada diante das inconsistências identificadas pela polícia. Uma familiar entregou o celular de Ielly aos investigadores, que encontraram a gravação do disparo. Diego acabou preso em flagrante.

A Polícia Civil concluiu que o crime havia sido planejado e indiciou o então namorado por feminicídio. De acordo com o delegado Thiago Saad, responsável pela investigação, os elementos reunidos não indicavam um disparo acidental.