Processo sobre morte de corretora em Goiás entra na fase final

Justiça conclui depoimentos em Caldas Novas sobre o assassinato de Daiane Alves; ex-síndico, que responde por homicídio qualificado ficou em silêncio

Daiane Alves foi morta pelo síndico do prédio onde mantinha apartamentos
Foto: Reprodução
Daiane Alves foi morta pelo síndico do prédio onde mantinha apartamentos

A Justiça encerrrou a fase de instrução do processo que apura a morte da corretora Daianae Alves Sousa , em Caldas Novas, em Goiás, na quinta-feira (27). Com isso, o caso segue para a as alegações finais, onde Ministério Público, assistência de acusação e defesa apresentam suas conclusões sobre as provas produzidas ao longo do processo.

Cléber Rosa de Oliveira, ex-síndico do condomínio onde Daiane mantinha apartamentos, está preso desde o dia 28 de janeiro e responde por homicídio qualificado e  ocultação de cadáver . Durante a audiência, realizada por vídeoconferência, ele ficou em silêncio ao ser interrogado .

Duas testemunhas de defesa foram ouvidas. Antes do interrogatório, Cléber teve uma conversa reservada com o advogado Nestor Nérton Fernandes Távora Neto.

A defesa também pediu prazo para anexar ao processo o regimento interno do condomínio. O pedido foi aceito pela juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas, sem oposição do Ministério Público ou dos advogados que representam a família de Daiane.

Alegações serão apresentadas por escrito

A juíza determinou que as alegações finais sejam apresentadas por meio de memoriais escritos, em vez de manifestações orais na própria audiência.

Segundo a magistrada, a medida leva em consideração “a natureza do feito, a pluralidade de questões a serem apreciadas e a necessidade de exame mais detido do conjunto probatório produzido em audiência”.

O Ministério Público terá cinco dias para se manifestar. Depois, a assistência de acusação terá o mesmo prazo e, por último, será a vez da defesa.

Como ele responde por crime doloso contra a vida, caberá posteriormente à juíza analisar se existem provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para pronunciá-lo e determinar que o caso seja submetido ao Tribunal do Júri.

Relembre o caso

Daiane Alves Sousa, de 43 anos, desapareceu em 17 de dezembro de 2025 depois de descer ao subsolo do prédio onde administrava apartamentos pertencentes à família, em Caldas Novas.

Naquela noite, ela havia percebido uma queda de energia no apartamento e começou a registrar em vídeo o caminho até a área técnica do condomínio. Imagens das câmeras também mostraram Daiane entrando no elevador e descendo ao subsolo. Depois disso, ela não foi mais vista.

O desaparecimento mobilizou uma força-tarefa durante mais de 40 dias. Em janeiro, a investigação passou a ser conduzida como homicídio.

No dia 28 de janeiro, Cléber e o filho dele foram presos. Segundo a Polícia Civil, Cléber confessou o crime naquele momento e indicou uma região de mata onde o corpo havia sido deixado. Os restos mortais foram encontrados nas proximidades da GO-213, entre Caldas Novas e Ipameri, e posteriormente identificados por exame de DNA.

O celular de Daiane, considerado uma das principais provas da investigação, foi localizado posteriormente escondido em uma tubulação elétrica do prédio.

MP aponta perseguição e crime planejado

Na denúncia apresentada em fevereiro, o Ministério Público sustenta que Cléber planejou a morte de Daiane.

Segundo a acusação, os conflitos começaram após a corretora assumir diretamente, em novembro de 2024, a administração de seis apartamentos pertencentes à família. Antes disso, a gestão era realizada por Cléber, que também exercia a função de síndico.

O MP afirma que, a partir daí, Daiane passou a sofrer uma sequência de constrangimentos e episódios que resultaram em boletins de ocorrência por ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, difamação e injúria. Uma ação judicial movida por ela havia sido julgada procedente apenas sete dias antes do desaparecimento.

Ainda conforme a denúncia, no dia do crime Cléber teria desligado propositalmente o disjuntor do apartamento para atrair Daiane ao subsolo. O MP sustenta que ele a aguardava encapuzado e usando luvas, atacou a corretora por trás e depois a levou até uma área de mata, onde teria efetuado dois disparos contra a cabeça dela.