
Após participar da gravação de 25 álbuns dos Titãs, Tony Bellotto segue em evidência. O guitarrista, compositor e membro fundador da banda está em turnê comemorativa pelos 40 anos de "Cabeça Dinossauro", um marco do rock brasileiro.
Fora dos palcos, mantém uma carreira consolidada na literatura, com 11 livros publicados, incluindo a série protagonizada pelo detetive Remo Bellini, e conquistou o Prêmio Jabuti de Romance Literário de 2025 com "Vento em Setembro".
Em entrevista ao Roda Viva desta segunda-feira (06), Tony, relembra sobre sua trajetória na música e na literatura. Durante o programa, o músico foi questionado sobre as transformações na formação da banda ao longo das décadas e como o grupo conseguiu preservar a identidade musical dos Titãs mesmo diante das mudanças.
A gente sempre foi, desde o começo, uma banda improvável. Oito caras. Quer dizer, a chance de a gente ganhar algum dinheiro ali, naquele início, era impossível afirma Tony Belotto
Titãs questionaram o futuro da banda
Bellotto relembra início dos Titãs e impacto das mudanças na formação ao longo dos anos.
Não é só essa questão do dinheiro a ser dividido, das ideias a serem debatidas. É difícil tomar uma decisão quando oito pessoas precisam decidir. Na primeira formação, acho que éramos nove até. aponta, o guitarrista
O músico afirma que a trajetória sempre foi movida pela vontade de fazer música, sem a pretensão inicial de transformar a banda em uma profissão. Segundo ele, o grupo encarava o projeto como uma "aventura em nome da arte" entre amigos.
Bellotto relembra que o primeiro grande abalo ocorreu em 1993, com a saída de Arnaldo Antunes, momento em que os integrantes passaram a questionar o futuro da banda e se o público continuaria a aceitar os Titãs sem um de seus integrantes mais emblemáticos.
A gente viu que deu. E, quando um dos integrantes sai, os que ficam renovam aquele pacto de fazer aquilo valer, funcionar. E foi acontecendo. Era impossível manter os oito juntos ao longo do tempo. Eram ideias diferentes. conta, Tony Bellotto
Bellotto recorda os anos de censura
Durante a entrevista, Tony Bellotto foi questionado sobre como os Titãs conviveram com os efeitos da censura no período da ditadura militar. O músico relembrou o clima de repressão vivido no país e as restrições impostas à produção cultural e artística.
A ditadura é uma coisa horrível, e a gente viveu isso. Eu sou filho de professores universitários. A gente ficava sabendo de histórias de professores que eram presos, iam para o exílio, tudo isso. Filmes que a gente não podia ver, discos que a gente não podia comprar, músicas… relembra, Tony
Segundo Tony Bellotto, as lembranças daquele período ajudam a dimensionar o impacto da censura sobre a sociedade e sobre os artistas que produziam cultura no Brasil.
Ao longo da entrevista, Tony também refletiu sobre o cenário político brasileiro e as mudanças que, na avaliação dele, ocorreram desde o período da redemocratização. O músico afirmou que sempre defendeu a democracia e criticou o avanço da extrema direita no país.
Sempre fomos muito contra a ditadura, a favor da democracia. Eu lembro que, ali nos anos 90, por exemplo, cheguei a fazer campanha para o Mário Covas, que era um político de quem eu gostava muito. Então havia uma centro-esquerda, havia matizes da esquerda, do socialismo. Hoje em dia, a coisa caminhou muito para uma questão da extrema direita, porque a direita democrática desapareceu Tony Belotto