Vídeo registra momento de tensão no julgamento de PMs acusados pela morte de Gritzbach
Reprodução/TV Globo
Vídeo registra momento de tensão no julgamento de PMs acusados pela morte de Gritzbach

Vídeo mostra trechos do julgamento de três policiais militares acusados de executar o empresário  Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC morto a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024. Os réus respondem pelo homicídio que teve ampla repercussão no país.

Confrontos entre acusação e defesa

Segundo reportagem exibida pelo Fantástico de domingo (28), imagens registram momentos de tensão e bate-boca entre acusação e defesa durante a audiência.

O Tribunal do Júri dos três PMs, executores do empresário foi anulado após sucessivos confrontos e diante do impasse, o juiz remarcou o julgamento para 22 de fevereiro de 2027.

Fernando Genauro, Juan Silva Rodrigues e Denis Martins são acusados de participar da execução de Gritzbach, morto com 27 tiros de fuzil ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024.

Na ação, o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, que não tinha qualquer relação com o caso, também foi morto. Outras duas pessoas ficaram feridas durante o ataque.








Desdobramentos

De acordo com a reportagem, um dos principais pontos de divergência entre acusação e defesa envolveu um parecer técnico apresentado pelos advogados dos réus, que contesta os resultados dos exames de DNA e sustenta que a prova teria sido contaminada para criar suspeitos.

Responsável pela coleta do material genético, o perito da Polícia Civil rebateu o documento durante o julgamento. "Houve uma confusão da parecerista com documentos diferentes".

Na sequência, os advogados protestaram ao afirmarem que o promotor Rodrigo Merli havia conversado com o perito antes do depoimento. "Se fosse a defesa fazendo isso que o promotor faz, o Ministério Público, em várias ocasiões, denuncia advogados por coação no curso do processo".

O clima voltou a esquentar quando um dos defensores ironizou o promotor: "O senhor quer combinar com a testemunha de novo? O senhor quer cinco minutinhos para falar com ele? Eu vou até ao banheiro se o senhor quiser conversar de novo".

Merli respondeu em seguida: "O senhor conversa com bandido, eu converso com polícia".

O advogado rebateu a declaração: "Eu não vou permitir esse tipo de aviltamento à advocacia. A advocacia é função essencial na Justiça".

Os ânimos voltaram a se acirrar quando o promotor passou a questionar um oficial da Corregedoria da Polícia Militar sobre outra investigação sem relação com a morte de Gritzbach: o atentado contra Mauro Ribas, um dos advogados de defesa.

Ribas se pronuncia após entrevista com a TV Globo e afirma: "Eu nunca fui ouvido na Corregedoria sobre isso. Do nada, o promotor pergunta para ele".

Saída da defesa leva juiz a anular julgamento

Em depoimento prestado à Polícia Civil em 2025, Mauro Ribas foi questionado sobre uma possível relação entre o atentado que sofreu e o caso Gritzbach. "Eu não vou querer imputar isso a alguém, porque eu não tenho elemento nenhum, mas é o que vem na mente", afirmou.

Após a nova troca de acusações durante a audiência , os advogados de defesa deixaram o plenário em protesto. Diante da ausência da defesa, o juiz decidiu anular o julgamento e remarcou o Tribunal do Júri para 22 de fevereiro de 2027.

O Ministério Público pediu a aplicação de medidas contra os advogados, mas o magistrado rejeitou a solicitação. Na decisão, o juiz entendeu que a própria acusação havia atribuído a um dos defensores a prática de fraude durante a sessão, o que contribuiu para a exaltação dos ânimos e para a inviabilidade da continuidade do julgamento.

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